LEGISLAÇÃO MUNICIPAL

LEI Nº 2325 DE 12 DE ABRIL DE 2010.

DISPÕE SOBRE A PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL NA ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ.

O POVO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ, por seus representantes na Câmara Municipal, aprovou e o Prefeito Municipal, em seu nome, sanciona a seguinte Lei:

Art. 1º A sociedade civil participará da elaboração do Orçamento do Município de Maricá, por meio de audiências públicas regionais, onde serão discutidas as propostas orçamentárias.

Art. 2º A participação da sociedade civil no orçamento do Município ocorrerá com a realização de audiências públicas regionais, em número e locais segundo a abrangência e o interesse de cada tema, anunciadas amplamente por veículos de comunicação local.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

GABINETE DO PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ, Estado do Rio de Janeiro, RJ, 12 de abril de 2010.

WASHINGTON LUIZ CARDOSO SIQUEIRA (QUAQUÁ)

PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ

segunda-feira, 30 de março de 2009

GUACO - O BOM DO INVERNO



Guaco, o bom do inverno

A ciência já comprovou as propriedades medicinais do guaco e atestou seu efeito broncodilatador e expectorante

Quem nunca ouviu falar que um bom xarope de guaco é tiro-e-queda contra tosse, asma ou bronquite? No inverno, quando aumenta incrivelmente a incidência de problemas do aparelho respiratório, por conta das gripes e resfriados, o guaco volta a figurar nas receitas caseiras. Embora isso tudo pareça mais uma “receita de comadres”, a verdade é que a ciência já comprovou as propriedades medicinais desta planta e atestou seu efeito broncodilatador e expectorante.
A planta também conhecida como erva-de-serpentes, cipó-catinga ou erva-de-cobra, pertence à família das Compostas. O guaco (Mikania glomerata) é originário do Brasil e sempre foi muito conhecido pelos índios brasileiros, que usavam a planta para combater o veneno das serpentes (daí vêm alguns dos seus nomes populares). Ainda hoje, em algumas regiões do Brasil, o macerado das folhas é aplicado em forma de cataplasma sobre picadas de cobras e outros animais peçonhentos. Existe também a tradição de usar a planta fresca e nova (cujas folhas emanam um aroma intenso e agradável) para manter as cobras afastadas.

Cultivo
O guaco é uma planta que se desenvolve bem em locais com clima ameno, como os da região Sul e boa parte do Sudeste. Trata-se de um arbusto lenhoso e cheio de ramos, que cresce como uma trepadeira, embora não tenha garras para se prender e precise de suporte como apoio. As folhas apresentam um tom verde brilhante e são levemente escuras na face superior e mais claras no verso. A floração, de cor branca ou amarelada, surge na forma de pequenos capítulos. É importante lembrar que o guaco só floresce quando cultivado em locais onde possa receber luz solar direta.
Para o plantio, recomenda-se solo arenoso e rico em matéria orgânica. O plantio se faz por estacas de caule que apresentem pelo menos dois nós. Após o enraizamento, a muda deve ser transplantada para um local que lhe sirva de suporte. No caso de optar-se pelo plantio em vasos ou jardineiras, é necessário providenciar um apoio.
Por ser uma planta relativamente rústica, o guaco não exige muitos cuidados. Para garantir um crescimento robusto, é recomendável, por ocasião do plantio, incorporar ao solo uma adubação com húmus de minhoca. Nos períodos de seca é importante estar atento para manter a terra úmida, irrigando sempre que necessário, mas evitando encharcamentos.
Tanto as folhas como as flores podem ser usados com finalidades medicinais. A colheita se dá normalmente seis meses após o plantio, quando é possível colher as primeiras folhas.

Usos e receitas
O uso do guaco como planta medicinal é muito antigo. Em 1870, chegou a ser criado um produto preparado com hastes e folhas da planta - era o Opodeldo de Guaco que durante décadas foi considerado um “santo remédio” contra bronquite, tosse e reumatismo.
Cientificamente já está provado que o guaco apresenta propriedades medicinais expectorantes e broncodilatadoras, sendo indicado no combate à tosse, asma, bronquite, rouquidão e outros sintomas associados à gripes e resfriados. Popularmente, o guaco continua sendo usado para tratar reumatismo, infecções intestinais e cicatrizar ferimentos.
A planta não apresenta princípios tóxicos, entretanto, deve ser usada com cautela, evitando-se todo tipo de excesso. Para o uso em crianças, é recomendável sempre a metade da dose indicada para os adultos.

Algumas receitas:

Chá de guaco: Colocar 5 g (cerca de uma colher de chá) de folhas secas em meio litro de água fervente. Abafar e depois coar. Pode ser tomado como um chá comum, três vezes ao dia. Dica: para secar as folhas, pendure-as amarradas em maço, num local arejado e sem umidade.
Xarope de guaco com mel: Coloque um punhado de caules e folhas em 2 e 1/2 litros de água fervendo, deixando no fogo até reduzir para 1/2 litro. Espere esfriar um pouco, filtre, junte 250 g de açúcar e ferva até o ponto de xarope. Desligue e acrescente 3 colheres(sopa) de mel. Deixe esfriar e guarde em um vidro bem limpo e seco. Usar como um xarope, três vezes ao dia.
Xarope de guaco: Ferver água e açúcar em ponto de calda. Juntar um chá bem forte de guaco e misturar até incorporar bem. Para aliviar a tosse, recomenda-se 1 colher (sopa) três vezes ao dia.
Receita cicatrizante: Ferver algumas folhas de guaco com um pouco de água, juntando uma pequena quantidade de raiz de confrei e um pouco de casca de romã.

http://www.jardimdeflores.com.br/ERVAS/ervas2.html

SERRA LIDERA PARA 2010


CNT/Sensus: Serra lidera corrida para 2010;
Dilma está em segundo

BRASÍLIA - Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira quis saber qual é a tendência do eleitorado brasileiro para a eleição presidencial de 2010. Em votação espontânea, os números são os seguintes: Lula, 16,2%; José Serra, 8,8%; Dilma Rousseff, 3,6%; Aécio Neves, 2,9%; Ciro Gomes, 1,5%; Heloísa Helena, 1,4%.

Já em listas estimuladas, os resultados foram os seguintes:

Primeira lista: José Serra, 45,7%; Dilma Rousseff, 16,3%; Heloísa Helena, 11,0%; com 27,0% sem candidato. Os números em janeiro de 2009 eram 42,8%, 13,5%, 11,2% e 32,6%, respectivamente.

Segunda lista: Aécio Neves, 22,0%; Dilma Rousseff, 19,9%; Heloísa Helena, 17,4%; com 40,8% sem candidato. Em janeiro de 2009: 23,3%, 16,4%, 18,2% e 42,2%, respectivamente.

Terceira lista: José Serra, 43,1%; Ciro Gomes, 14,9%; Heloísa Helena, 12,8%; com 29,4% sem candidato. Em janeiro de 2009: 41,9%, 10,6%, 13,8% e 33,8%, respectivamente.

Quarta lista: Aécio Neves, 21,2%; Ciro Gomes, 19,2%; Heloísa Helena, 19,0%; com 40,7% sem candidato. Em janeiro: 21,9%, 16,1%, 18,9% e 43,2%, respectivamente.

Em um provável segundo turno, José Serra venceria com 53,5%. Dilma Rousseff teria 21,3%.

30/03/2009 - JB Online

Comentário: Vamos ao que interessa -
no mano-a-mano Serra com 45,7% e
Dilma com 16,3%.

Visitem na web:
-fraudenasurnaseletronicas
-votoseguro

quinta-feira, 19 de março de 2009

O BANCO É A CARA DO...


O banco que é a cara (do trânsito) de São Paulo

Não tenho nada contra os bancos. Na verdade, eles rendem excelentes crônicas. Principalmente quando não atendem a gente. Pena que eles não gostem tanto assim de mim. Não é nada pessoal. Creio que eles até me amem, porque são os que mais escrevem cartas pra mim. O que eles não suportam é a quantidade de dinheiro que eu deixo neles. Acho que isso os irrita tanto que os únicos "seres" que costumam me atender é a internet ou a voz eletrônica do telefone. Via de regra, não há uma vivalma para falar comigo.

Esta crônica é fresquinha. Nasceu hoje à tarde na fila do banco. Eu tinha muitos outros serviços para fazer, sim senhor. Graças à Nossa Caixa, eles acumularam para amanhã e vocês ganharam isto:

(Fábio Reynol - De uma agência da Nossa Caixa) - Acabo de completar meia hora de espera no banco Nossa Caixa. Estou na fila do atendimento tentando encerrar a minha conta corrente. Se eu não fizer isso agora, corro o risco de entrar para o rol de devedores que não pagaram tarifas as quais eles nem sonhavam que existiam. Este mês, por exemplo, perdi vinte reais a título de "recadastramento". Culpa minha. Esqueci de fechar a conta a tempo.

Por falar em tempo, agora já são 40 minutos de cadeira. O suficiente para eu digitar este texto no teclado minúsculo do celular. A demora seria por falta de atendentes? Não creio. No momento há apenas uma mesa ocupada com um cliente, porém, existem outros cinco funcionários para “atender”. A atendente que está à minha frente sentou em sua cadeira há 20 minutos, passou dez organizando uma papelada, dois atendendo o próximo cliente da fila, mais dois rabiscando papéis e até agora está falando ao telefone.

Ao lado dela trabalha um rapaz. Quando eu cheguei, ele estava com uma cliente, mas a mulher saíra de sua mesa há 20 minutos. Ele foi então à impressora, do lado oposto da agência, olhou a pilha de senhas e voltou para a sua mesa onde rabiscou três folhas de papel, passou mais cinco minutos digitando algo no computador e sacou o telefone. Juntou-se à sua colega e ficou ligando para clientes. Por sinal, a maioria dos destinatários não estava. “Posso ligar em outro horário?” “Será que ele pode me retornar?” “O senhor não sabe se ela se interessaria em...” foram algumas das conversas que eu consegui ouvir. Parece que os clientes que não se dirigiram ao banco não estavam querendo ser atendidos. Enquanto eu e mais três panacas que estavam precisando do serviço éramos magnificamente ignorados pelo setor.

Além desses, havia uma terceira atendente que conversava com uma senhora quando eu cheguei. Quando a cliente foi embora, a funcionária se perdeu no fundo da agência. Voltou há cinco minutos, sentou um pouquinho, rabiscou também alguns papéis (deve haver algum bônus oferecido pelo banco por isso) e, como num milagre, chamou a próxima senha, ainda bem longe da minha.

Porém, entre os funcionários do atendimento, a que mais me tem chamado a atenção é uma quarta mocinha que, durante esses 45 minutos em que eu estou aqui, está... atendendo! Tudo bem que ela está com o mesmo cliente durante todo esse tempo, mas mesmo assim é reconfortante ver um trabalhador fazendo o seu trabalho. É como ver um padeiro fazendo pão e a polícia prendendo bandidos. Coisas raras no Brasil. Se entre cada quatro brasileiros, um fizesse digna e honestamente o seu trabalho, estaríamos com a cadeira do Canadá no G8. Mas não posso dizer se a moça era realmente esforçada ou se o caso era difícil demais para ela dispensar o cliente e se juntar ao atendimento telefônico - modalidade muito mais tranqüila do que olhar para as caras feias dos clientes da agência.

Desde que cheguei só ouvi chamarem a primeira senha após 15 minutos de cadeira. O pior: cantaram o número “336”; o meu era o “444”! Se eles demorassem quinze minutos para chamar cada cliente eu seria atendido em duas horas! A coitada que esperava ao meu lado me acalmou: “a maioria já desistiu e foi embora!”, avisou-me aliviada. Ufa! Sorte minha que os bancos de hoje são somente para os heróis da resistência ou para os caras-de-pau que ficam digitando crônicas no celular.

Opa! Acabaram de chamar a minha senha, 50 minutos cravados!

“Eu gostaria de encerrar a minha conta, por favor.”

“Mas por que o senhor quer fazer uma coisa dessas???”

“Posso responder por escrito?”

Postado por Fábio Reynol às 4:57 PM - 15 Setembro 2008

http://diariodatribo.blogspot.com

sexta-feira, 13 de março de 2009

ALVARO LINS É DEMITIDO


O ex-deputado estadual Álvaro Lins é demitido da Polícia Civil

RIO - A Corregedoria Geral Unificada, da Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, concluiu nesta quarta-feira, o Processo Administrativo Disciplinar que apurou desvios de conduta do servidor público Álvaro Lins. Lins foi Chefe de Polícia Civil no período de novembro 2000 até março de 2006.

O Procedimento Administrativo Disciplinar foi instaurado em 14 de maio de 2007, soma dez volumes e 3649 páginas. Nos autos estão reunidas provas técnicas da CGU, oitiva das testemunhas e provas emprestadas da investigação da Polícia Federal. O processo levou 667 dias para ser concluído, respeitando-se todos os ritos e direito de ampla defesa do acusado.

O relatório final resume assim, na ementa final, os motivos que levaram a CGU recomendar a demissão do servidor:

“Imputação de cometimento de fatos gravíssimos durante o exercício deste cargo; associação e exercício de comando de agentes de autoridade com fins ilícitos; loteamento de Delegacias; inversão hierárquica efetivada com vistas ao maior controle de determinadas delegacias e conseqüente recebimento de propinas regulares; acobertamento e proteção dos interesses de determinado contraventor penal; aumento patrimonial absolutamente incompatível com os rendimentos auferidos pelo servidor processado; conjunto probatório farto; fatos sobejamente comprovados na seara administrativa disciplinar; provas obtidas em consonância com os mandamentos regulamentares, legais e constitucionais (...) Extrema gravidade dos fatos. Repercussão nefasta à imagem institucional; ofensa aos valores legais e deontológicos que devem nortear a atividade policial; consequências negativas de difícil reparação; condutas ilícitas perpetradas com abuso e desvio de poder hierárquico conferido ao cargo que ocupava o servidor processado. Recomendação de aplicação de pena de demissão gravada com a nota do bem do serviço público(...)”

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, comentou o trabalho da CGU:

- Foi uma decisão institucional. O importante é mostrar para a sociedade que é possível trabalhar levando em conta somente as regras, sem influência de terceiros, dando um tratamento justo. Mas faço um apelo para que o Poder Legislativo modernize as regras processuais das corregedorias. Um processo que leva 667 dias para ser concluído, por mais importante que seja, não condiz com a rapidez das mudanças que a sociedade gostaria de ver.

O PAD foi oficialmente concluído na tarde de hoje com a assinatura do Governador Sérgio Cabral Filho. Álvaro Lins foi demitido da Polícia Civil.
Com informações do governo do estado

12/03/2009 - JB Online

quinta-feira, 12 de março de 2009

JARBAS VASCONCELOS CHAMA O PMDB DE CORRUPTO


Entrevista: Jarbas Vasconcelos

O PMDB é corrupto

Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes
do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de
José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso

Otávio Cabral

Cristiano Mariz

"A maioria se incorpora a essas coisas pelas quais os governos vêm sendo denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral"

A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação. Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem. Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".

O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado? É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.

Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores. Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

Como o senhor avalia sua atuação no Senado? Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.

O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB... Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar? Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.

Para que o PMDB quer cargos? Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista? De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.

Por que o senhor continua no PMDB? Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.

Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma? Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.

O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso? Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.

A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado. O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.

"O marketing de Lula mexe com o país. Ele optou
pelo assistencialismo, o que é uma chave para
a popularidade em um país pobre.
O Bolsa Família é o maior programa
oficial de compra de votos do mundo"


Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação. O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes? Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.

A oposição está acuada pela popularidade de Lula? Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.

"Eu fui oposição ao governo militar e me lembro de que Médici era endeusado no Nordeste. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura.
A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição"

Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política? Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.

Por que há essa banalização dos escândalos? O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.

É possível mudar essa situação? É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.

Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff? A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.

O senhor parece estar completamente desiludido com a política. Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.

Veja.Com - Veja Online - Como os corruptos ficam milionários na política
Revista Veja
Como os corruptos ficam milionários na política‎ - QUINTA-FEIRA 19 de fevereiro de 2009 Eurípedes Alcântara Diretor de redação Caro leitor, A … 20 fev

domingo, 8 de março de 2009

VELOX - MULTA ABUSIVA


Telemar é obrigada a devolver em dobro multa abusiva

RIO - Atendendo a pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o Juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial, condenou a Telemar a restituir em dobro a multa que cobrava dos usuários que cancelavam o serviço de acesso rápido à internet, mais conhecido como Velox. Segundo o MP, ao multá-los, a empresa desrespeita uma determinação da Anatel, que em seu Regulamento de Comunicação Multimídia garante aos consumidores o direito de interromper ou cancelar esse tipo de serviço a qualquer tempo e sem nenhum ônus.

O promotor de Justiça, Carlos Andresano, autor da ação, lembrou que as empresas convivem em regime de livre concorrência e que é extremamente saudável para o mercado as prestadoras lutarem para oferecer as melhores ofertas. A obrigação de manter-se atrelado à Telemar por 12 meses é ilegal. A fidelização, como é chamada este tipo de prática, impede o cliente insatisfeito de trocar de prestadora, ferindo o direito de escolha, que é garantido por lei, declarou o promotor.

Desse modo, a empresa não poderá mais exigir que o usuário pague por algo que ainda não utilizou e, para manter sua fidelidade, contará apenas com a qualidade do produto oferecido e os preços mais atraentes.

07/03/2009 - JB Online