LEGISLAÇÃO MUNICIPAL

LEI Nº 2325 DE 12 DE ABRIL DE 2010.

DISPÕE SOBRE A PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL NA ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ.

O POVO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ, por seus representantes na Câmara Municipal, aprovou e o Prefeito Municipal, em seu nome, sanciona a seguinte Lei:

Art. 1º A sociedade civil participará da elaboração do Orçamento do Município de Maricá, por meio de audiências públicas regionais, onde serão discutidas as propostas orçamentárias.

Art. 2º A participação da sociedade civil no orçamento do Município ocorrerá com a realização de audiências públicas regionais, em número e locais segundo a abrangência e o interesse de cada tema, anunciadas amplamente por veículos de comunicação local.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

GABINETE DO PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ, Estado do Rio de Janeiro, RJ, 12 de abril de 2010.

WASHINGTON LUIZ CARDOSO SIQUEIRA (QUAQUÁ)

PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ

terça-feira, 29 de setembro de 2009

MULTA DIÁRIA MANTIDA NO STJ - DES0BEDIÊNCIA


DECISÃO

Pão de Açúcar pagará R$ 464 mil por desobediência a ordem judicial

Por unanimidade, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve a multa de R$ 464 mil – em valores de 2003 – devida pela Companhia Brasileira de Distribuição por descumprir decisão judicial que determinou a demolição de muro construído em terreno alheio.

O montante é resultado da multa diária de R$ 100 imposta pela Justiça do Rio de Janeiro no período de fevereiro de 1995 a julho de 2003. A multa foi aplicada contra a Freeway Supermercados Ltda., empresa originalmente condenada a derrubar o muro que foi incorporada e sucedida pela Companhia Brasileira de Distribuição, em dezembro de 1997.

No recurso interposto no STJ, a Companhia requereu a extinção da execução, alegando que a multa, além de exagerada, deixou de existir pela incorporação do devedor. Segundo a relatora, ministra Nancy Andrighi, a incorporação extingue a personalidade da pessoa incorporada, mas não seus direitos e obrigações. Assim, no plano das relações jurídicas de direito material, a incorporadora passa a figurar como devedora, substituindo a posição antes ocupada pela pessoa jurídica incorporada.

Sobre o alegado exagero no montante da multa, a ministra ressaltou que o valor justo da causa é aquele capaz de forçar a parte que insiste em não cumprir a decisão judicial a se sujeitar aos termos da lei. Para ela, a imposição da multa diária funciona como mecanismo de indução para o devedor agir conforme lhe é exigido. Segundo a relatora, desde a fixação da multa, passaram tantos dias quanto quis a recorrente.

Nancy Andrighi entende que o grande mérito da multa diária é que ela se acumula até que o devedor se convença da necessidade de obedecer à ordem judicial. “A multa perdurou enquanto foi necessário e, se o valor final é alto, ainda mais elevada era a resistência da recorrente a cumprir o devido”, ressaltou em seu voto.

A ministra admitiu que pode existir excesso quando houver dificuldades fáticas que impeçam o pronto atendimento da determinação judicial, como óbices não previstos pelo juízo, o surgimento de conflitos envolvendo terceiros ou a impossibilidade material da prestação devida, entre outros exemplos. Mas, no caso em questão, a relatora entendeu que ficou evidente que o único obstáculo à efetivação do direito já reconhecido por sentença foi o descaso da recorrente pela Justiça, já que nada impedia o cumprimento da ordem de demolição.
28/09/2009 - 08h58
http://www.stj.jus.br/
portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=93925
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Comentário: No âmbito dos Juizados Especiais Cíveis, atrelados ao Tribunal de Justiça do RJ, ante os entendimentos de várias Turmas Recursais, a multa diária merece ser abolida e, mais, quando determinada pelo juízo “a quo”, pode, e deve, ser diminuída ou extinta, uma porque entendem ser um risco de enriquecimento ilícito, duas porque, não consideram desobediência a ordem judicial o simples descumprimento, logo, os advogados devem, antes de iniciar uma ação neste pequeno juizado, analisar e entender se não seria melhor propor a ação perante uma Vara Cível, em juizado comum cujo o rito não será tão demorado quanto o juizado de pequenas causas, até porque, neste, inclusive, não terá direito a pedir perícia se surgir o interesse do autor por ver necessário ao deslinde. Contra a Ampla, dentre outras concessionárias do Estado do Rio de Janeiro, na maioria das vezes a multa por ventura aplicada por um julgador em primeira instância, não é reconhecida em grau de recurso, nem como medida punitiva, nem desobediência. É apenas o início do caos que se aguarda de forma velada. A independência de cada Juiz é a máxima que diz “cada cabeça uma sentença”, mas o controle de cima para baixo não pode ser admitido em Estado de Direito, de Democracia e de Liberdade de Expressão. O que se espera é um Judiciário mais perto do cidadão comum, de suas necessidades, com Juízes e juízes, Turmas e turmas, maiúsculas no atender os anseios de advogados e partes quando mais pertos do justo e perfeito, do que ouvir justificativas minúsculas de concessionárias que nunca são penalizadas ou impelidas a respeitar a própria decisão judicial, passando “in albis” a ordem emanada.
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CONTRA DESMATAMENTO ZERO


'Desmatamento zero' freia desenvolvimento, diz pesquisador.

Cientista da Embrapa critica visão externa sobre a Amazônia.
Para Samuel Oliveira, realidade local é ignorada nas decisões ambientais.

Samuel Oliveira, da Embrapa Rondônia, discorda da maioria das leis ambientais. Especialista em economia agrária, ele defende o uso controlado do desmatamento para trazer desenvolvimento à região amazônica, e acha que a maior parte das decisões ambientais, como a criação de novas leis e de reservas, não leva em consideração as realidades regionais.

O ponto de vista do cientista vai no sentido contrário do que defendem os ambientalistas, mas faz eco ao pensamento de grande parte dos produtores rurais e políticos da Amazônia. “A preservação ambiental é necessária, mas a ocupação humana é imprescindível para haver desenvolvimento”, defende Samuel.

Polêmico, o pesquisador cobra dos outros estados brasileiros a preservação que se exige na Amazônia. “Por que a gente não faz um rateio? Suponhamos que todos os biomas do Brasil deveriam ser preservados em 50% da sua cobertura original. São Paulo quer fazer? O Paraná quer fazer? Rio de Janeiro quer fazer?”, questiona.
27/09/09 - 07h00 - Atualizado em 27/09/09 - 07h00
Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em Porto Velho

http://www.globoamazonia.com/
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CMSB - PROCLAMAÇÃO AO POVO BRASILEIRO


CMSB - Proclamação ao povo brasileiro

A CONFEDERAÇÃO DA MAÇONARIA SIMBÓLICA DO BRASIL - CMSB, constituída das 27 Grandes Lojas Maçônicas do Brasil, que congregam aproximadamente 100 mil Maçons distribuídos nas Lojas Maçônicas situadas em todos os rincões do País, reunida em sua XXXVIII Assembléia Geral Ordinária, em Goiânia - Goiás, registra: 1) - A pública a notória propagação do germe da corrupção no território pátrio, como se fosse epidemia, contaminando e destruindo os princípios morais e básicos da civilidade, afetando a todos, inclusive comprometendo as futuras gerações. 2) - O inconformismo com a impunidade dos afortunados pela ilicitude, que afeta e corrói a formação moral da sociedade brasileira, na certeza de que, todos, igualmente, devem responder por seus atos e ser punidos proporcionalmente à falta cometida. 3) A urgência de uma reforma nas estruturas dos Poderes constituídos, como passo fundamental para que sejam eliminadas as causas das mazelas que vêm afligindo a cidadania. 4) - O necessário envolvimento das entidades civis organizadas e do povo em geral, na luta para superação dos desmandos e na reconstrução de uma sociedade mais ética, fraterna e solidária. 5) O importante papel da Maçonaria, organizada nas Grandes Lojas Maçônicas, na deflagração da luta contra os males que vêm causando tantos danos ao povo, na esperança de que, com a participação de todos, sejam alcançadas as mudanças culturais e estruturais, para que, num futuro próximo, a família brasileira possa usufruir de um País mais justo e perfeito. Goiânia, 11 a 16 de julho de 2009. Assinada por todos os Grão-Mestres das 27 Grandes Lojas do Brasil.

Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009 -

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A AGONIA DO LANGUEDOC


O obscurantismo coloca a autoridade acima da verdade.

A AGONIA DO LANGUEDOC

- Obscurantismo 2

José Maurício Guimarães

Em 646 d.C. a Biblioteca de Alexandria foi destruída deixando uma lacuna irreparável na História e no conhecimento humanos.

Por mais de 500 anos o "establishment" gozou de relativo sossego na Europa até que, no sul da França, floresceu uma cultura ímpar trazida do Oriente Médio pelos Templários. Já havia em Carcassonne, Béziers, Albi, e Toulouse planos para a criação de universidades, academias e bibliotecas sob o patrocínio do conde Raymond VI de Toulouse, seguidor da fé cátara. A agricultura seguia métodos adiantados, os cidadãos gozavam de maiores liberdades e cristianismo era estudado em seus fundamentos.

O catarismo era uma religião filosófica derivada das profecias de Manes. "Cátaro" significa "puro" e, neste sentido, eles procuravam se inspirar nos antigos essênios. No século XII, províncias inteiras do Languedoc praticavam o catarismo e, paralelamente à nova fé, tinham língua própria (langue d’oc ou "occitane"). Segundo eles a encarnação do Espírito do Cristo foi o real sacrifício simbolizado na cruz. No campo moral, afirmavam que o verdadeiro amor não é carnal, mas transcendente e mediante a contemplação da mulher ideal intermediária entre o plano espiritual e os homens.

Em novembro de 1215 o Concílio de Latrão IV tomou as terras de Raimundo VI e Raimundo II de Trencavel. No mesmo ato, nomearam Montfort duque da Narbona, conde de Toulouse e visconde de Carcassonne e Rasez. O brutal Arnaud Amaury foi elevado a arcebispo militar de Narbona.

Quatorze anos depois, o Concílio de Toulouse determinou: "Proibimos aos leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento (...) proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido." (Tolosanum, Gregório IX, Anno Chr. 1229, Canons 14:2). Foi neste mesmo Concílio que se decretou a Cruzada contra os albigeneses ou cátaros do Languedoc, acusando-os por heresia. Dizia o texto: "Essa peste assumiu tal extensão, que algumas pessoas indicaram sacerdotes por si próprias, e alguns distorcem a verdade do evangelho para os seus próprios propósito sendo que a explanação da Bíblia é absolutamente proibida aos membros leigos.”

O Papa temia que o catarismo se transformasse numa reação política contra a corrupção existente nalguns segmentos da hierarquia eclesiástica. Para piorar as coisas, o legado papal de Toulousse foi assassinado e a Igreja atribuiu o crime aos cátaros. Apesar dos esforços do Conde Raymond VI para inocentá-los, Inocêncio III convocou uma cruzada contra o sul da França. O lema dessa cruzada, criado pelo soldado Arnaud Amaury, era: "Matai a todos; Deus reconhecerá os seus".

No dia 22 de julho de 1209, um exército de bêbados trucidou a população de Béziers, cristãos ou não. Em seguida, foi a vez de Carcassone onde os cidadãos tiveram permissão de deixar a cidade com vida, porém nus e desapropriados de seus bens. Durante as operações militares, os conquistadores marcavam os corpos dos habitantes decepando uma orelha, cortando dedos das mãos, perfurando um olho ou cortando a ponta da língua. Então, enviavam esses mutilados a pé e sangrando para a cidade mais próxima com o aviso de que o exército de Deus se aproximava.

Todo o Languedoc foi exposto a uma terrível agonia que a história oficial tentou, até recentemente, jogar nos porões do esquecimento. A parte mais civilizada da Europa foi entregue ao saque de bandidos disfarçados em soldados de Cristo.

Essas histórias, redigidas pelos cronistas entre 1180 até 1230, fazem parte do chamado “ciclo do Santo Graal”. Dizem as lendas que, durante o assalto das tropas à fortaleza de Montsegur, apareceu no alto das muralhas uma figura coberta por uma armadura branca. Os soldados recuaram temendo ser um guardião do Santo Graal.

Alguns especuladores admitem que, prevendo a derrota, os cátaros emparedaram, nos muros subterrâneos de Montsegur, um segredo trazido do Oriente pelos Templários durante o período em que Gilbert Horal fora Grão-Mestre da Ordem. Esse segredo estaria oculto até os dias de hoje.

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Leitura recomendada:

1 - "A Cruzada dos Cátaros e Albigenses" - Aubrey Burl (MADRAS);

2 - “Les cathares” – Arno Borst (Payot, Paris 1974);

3 - "No Caminho do Santo Graal - Os Antigos Mistérios Cátaros" - Antonin Gadal (Rosacruz Editora);

4 - “La croisade Albigeois et l’unité française” – François Louis Ganshof (Éditions Universitaires, Bruxelles, 1944);

5 - "O Retorno dos Cátaros" - Jorge Molist (Planeta do Brasil)

6 - “Heresia, cruzada e inquisição na França Medieval” – J.Rivair Macedo (Editora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2000);

7 - “L’Épopée cathare” – Michel Roquebert (Toulouse 1977);

8 - "Os Cataros e a Reencarnação" - Arthur Guirdham (Editora PENSAMENTO).

Visite blog http://zmauricio.blogspot.com/

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Ação Maçônica Internacional - AMI

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PUCCINELLI CHAMA MINC DE VIA...

Governador do MS chama Ministro Minc de 'viado fumador de maconha'

O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), disse que não tinha intenção de ofender o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao chamá-lo de “viado fumador de maconha”. O motivo das críticas de Puccineli teria sido o projeto de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, do Ministério do Meio Ambiente. O projeto do governo proíbe a implantação de novas usinas e a expansão da produção de cana em qualquer área de vegetação nativa, na Amazônia, no Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai.

Em nota divulgada nesta terça-feira (21), Minc declarou. 'É um truculento ambiental que quer destruir o Pantanal com a plantação de cana-de-açúcar. Essa declaração revela o seu caráter', disse em comunicado.

Sobre o fato de Minc ser esperado para participar da Meia Maratona Internacional do Pantanal, marcada para dia 11 de outubro, Pucinelli fez piadas ofensivas, dizendo que “o alcançaria e o estupraria em praça pública”. As ofensas teriam como base o depoimento do ministro, que causou polêmica ao defender a descriminalização da maconha em um show de reggae na cidade goiana de Alto Paraíso.

A assessoria de Puccinelli declarou que as opiniões do governador foram em “tom de brincadeira” sem “caráter de ofensa pessoal ao ministro”. o advogado Eduardo Bottura disse que encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF), em Brasília (DF), para apurar crime de abuso de poder contra o governador pelas declarações dadas.

Brasil - 22.09.2009 - Redação CORREIO

http://correio24horas.globo.com/noticias/

Veja vídeo de Carlos Minc defendendo a descriminalização da maconha em show de reggae.

http://www.youtube.com/watch?v=HLWUk4H2BWI

MINC RESPONDE A PUCINELLI

Minc: Pucinelli tem que 'tratar com carinho a própria homossexualidade'

Ironia. Foi assim que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, respondeu as declarações do governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, que disse ontem que o ministro era 'viado' e 'fumava maconha'. Puccinelli ainda completou fizendo que 'ia correr atrás dele e estuprá-lo em praça pública', caso Minc fosse a capital sul-matogrossense.

O ministro por sua vez disse que o governador deveria aceitar o homossexual que há dentro dele. 'Ele deve fazer uma análise mais profunda da declaração dele sobre o estupro em praça pública e examinar e tratar com mais carinho o homossexualismo que existe dentro dele próprio e talvez aceitar isso com mais razoabilidade.'

Minc disse, ainda, que 'O Freud explica que muitas pessoas que têm o homossexualismo enrustido tentam matar o homossexual que há dentro dele próprio'. 'Eu sou um defensor conhecido dos direitos dos homossexuais contra todos os preconceitos', completou.

'Uma agressão como essa, é difícil até imaginar como uma pessoa dessa pretende exercer o governo do estado', afirmou ao questionar o despreparo de Puccinelli.

O ministro descartou entrar com uma ação na Justiça contra Puccinelli. 'São os eleitores e os tribunais que vão julgar se uma pessoa com esse nível de desequilíbrio está apta a exercer o governo do estado. Eu não vou processá-lo', finalizou.

Leia também:
Governador do MS chama Ministro Minc de 'viado fumador de maconha'


Brasil - 23.09.2009 - Redação CORREIO -

http://correio24horas.globo.com/noticias/

CÂMARA APROVA PEC DOS VEREADORES

Câmara aprova a PEC dos Vereadores

BRASÍLIA - A Câmara dos Deputados aprovou ontem, em segundo turno, a proposta de emenda constitucional (PEC) que cria 7.709 vagas de vereadores. Agora a proposta será promulgada pela Mesa do Congresso. A emenda obteve 380 votos a favor, 29 contra e duas abstenções. Hoje, o País tem 51.748 vereadores. Com os novos, deve ir para 59.457.

Conhecida como PEC dos Vereadores, a emenda prevê a posse imediata dos mais de 7 mil parlamentares, assim que for promulgada. Mas isso não deve ocorrer sem antes passar por grande batalha jurídica.

Tanto o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, quanto o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, já disseram que os efeitos da emenda só valem para a eleição municipal de 2012. E o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, disse que vai recorrer ao STF se houver a posse de alguns deles.

Autor: Agencia Estado - Extraído de: Estadão - 23/09/2009

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/

TELEMAR OBRIGADA A IDENTIFICAR AUTORES DE E-MAILS

Telemar é obrigada a identificar autores de e-mails anônimos

A Telemar foi obrigada pela Justiça estadual a identificar usuários que enviaram mensagens eletrônicas ofendendo um cidadão. A decisão é da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que negou recurso da empresa de telefonia e manteve sentença da 16ª Vara Cível da capital.

Alexandre Gaze Filho vinha sendo alvo, desde 2007, de e-mails anônimos com mentiras e ofensas à sua pessoa. Através de buscas na Internet, ele descobriu os IP's (Internet Protocol) utilizados pelo agressor, que pertencem a usuários do
provedor Velox,
serviço também prestado pela ré.

Com o intuito de descobrir quem está por trás dos insultos, Alexandre entrou com uma ação na Justiça do Rio pedindo que a Telemar fornecesse a origem das mensagens, o que foi concedido, por unanimidade, pelos desembargadores da 13ª Câmara Cível.

De acordo com a relatora do processo, desembargadora Sirley Abreu Biondi, não se pode dar incentivo a pessoas que se utilizam da internet para agredir e denegrir a imagem de terceiros. "Não é cabível que mensagens agressivas, conturbadas, pornográficas, ofensivas não possam ser identificadas, como alegado pela ré, restando impune seus subscritores, sob o manto da impunidade esperada pela forma de atuação virtual", considerou.

Nº do processo: 2009.001.45888

Notícia publicada em 22/09/2009 - Tribunal de Justiça - RJ

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PROFISSÃO: "JORNALISTA"

Deformações jornalísticas

Nos esporádicos eventos que exigem apresentações (entrevistas, por exemplo), é comum haver referências à minha atuação como “jornalista”. Dentre todas as alcunhas imerecidas, esta provoca mais desconforto, porque não tenho formação na área, jamais pretendi exercer a atividade e tampouco acredito exercê-la. Tento desfazer o equívoco, mas os interlocutores argumentam que minhas colaborações regulares para veículos informativos me inserem na seleta categoria.

Discordo, embora lisonjeado. Furtar um grau superior reconhecido oficialmente soaria desonesto com o distinto público. Também alimento a ilusão (ultrapassada e romântica, admito) de que jornalistas profissionais possuem compromisso com a objetividade, a veracidade e o interesse coletivo. Meus textos, ao contrário, são demasiado opinativos e diletantes para tamanhas pretensões.

Abdicar da qualificação não significa, entretanto, aceitar seu viés legitimador. Ninguém precisa de diplomas para coletar informações, cultivar análises e reproduzir raciocínios legíveis. Canudos de papel não materializam vocações ou talentos, em qualquer afazer criativo.

Na verdade, considerando a qualidade média dos serviços em questão, a própria formação universitária precisa ser repensada com urgência. Uma preocupante parcela dos jovens jornalistas brasileiros carece de rudimentos teóricos que deveriam ser exigidos de qualquer cidadão, ainda mais de alguém que pretende “formar opiniões”. Supondo-os diplomados, e quase todos são, chegamos a nos perguntar como conseguiram completar o colegial e passar num vestibular, antes mesmo da formatura.

Não me refiro à imprensa de província (amiúde injustiçada), nem às crônicas esportivas e policiais, recheadas de cacoetes divertidos. Até respeitados veículos de abrangência nacional sucumbem a escrutínios rigorosos. Os erros de gramática e concordância aparecem com lamentável freqüência. Amiúde surge o clássico “dar a luz a” e uma constelação de cacofonias no estilo “nunca ganha”. E os lugares-comuns se transformaram em dialeto particular, subproduto inócuo do discurso publicitário.

Há também demonstrações constrangedoras de ignorância acerca dos assuntos abordados. As besteiras com vocabulário jurídico e científico dariam livros. Em recente matéria sobre os descalabros do Judiciário, alguém incluiu o Tribunal de Contas, órgão autônomo, auxiliar do Legislativo. Acabo de ouvir uma repórter mencionando o Ministério “do” Público, na mesma rádio onde outra relatara os casos de gripe suína no Estado americano de “Órrio”. Claro, ninguém precisa ser poliglota, mas um “Bob Dáilan” ou um “Reimbáude” já são demais em qualquer contexto, não apenas cultural.

Talvez devêssemos tolerar deslizes textuais ou de conteúdo específico, tendo em vista as vicissitudes do ofício. E toda generalização seria tola, especialmente num universo tão amplo quanto diversificado. Mas algumas ponderações críticas se fazem necessárias, porque parte da categoria mobiliza-se para defender a exigência do diploma justamente como garantia de qualidade e competência. Corporativismos à parte, será que as faculdades existentes atingem esses nobres objetivos?

Um sério problema da formação acadêmica jornalística é que sua inviável pretensão à universalidade resulta em amplo superficialismo. Não há como especializar o formando em todos os assuntos de interesse público. Mesmo em espaços “apenas” informativos, certas pautas demandam exatidão e profundidade inacessíveis a curiosos ocasionais. Privar o público de esclarecimentos técnicos pode acarretar prejuízos irreversíveis. A imprensa não é nem pode ser feita apenas por jornalistas.

Não que a decisão do STF traga novidades às relações laborais. Sob arengas liberalizantes ou legalistas de patrões e empregados, dissemina-se a adoção consensual de estratégias para driblar a legislação trabalhista. A tendência fatalmente inviabilizará as regulamentações profissionais. Aliás, funcionários que se transformam em Pessoas Jurídicas não podem reclamar de precariedade, amadorismo ou perda de direitos.

E as empresas continuarão preferindo candidatos diplomados. Além de conhecer jargões e técnicas básicos, eles disputam chances num mercado de trabalho já suficientemente competitivo, que pressiona os iniciantes a sufocar abstrações éticas para satisfazer os desmandos dos superiores. Assim estará garantido o exército de pobres diabos que se acotovelarão para inventar uma futura Escola Base, outro casal Nardoni, os novos pugilistas cubanos.

Se há qualquer ameaça ao futuro do jornalismo brasileiro, os interessados podem procurá-la numa crise inédita de credibilidade, nascida nas próprias redações e alimentada com a cumplicidade de todos os envolvidos, principalmente os tais diplomados. Mas será impossível compreender a decadência roçando apenas sintomas aparentes e momentâneos, sem dissecar sua natureza essencialmente política.

Guilherme Scalzilli, historiador e escritor. Autor do romance “Crisálida” (editora Casa Amarela).

http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com

As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não estão necessariamente de acordo com os parâmetros editoriais da Caros Amigos.
01 de julho de 2009 - Por Guilherme Scalzilli

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Agora jornalismo é para quem quiser, graças a Deus

Ok, sou mais um a escrever sobre o fim da exigência do diploma para jornalistas. Relutei em fazer este artigo, mas a indignação dos profissionais me toca. Estão putíssimos, é fato. Meus alunos, preocupados. Eu adorei. Agora, jornalismo é para quem quer fazer jornalismo, não para quem teve a chance econômica de adquirir o diploma que permite exercer a profissão.

Sem dúvida, as razões de Gilmar Mendes e seus pares são equivocadas – eles pensam que o jornalismo não pode prejudicar a sociedade, opinião realmente inacreditável. Contudo, assusto igualmente com os argumentos dos jornalistas, especialmente um: o diploma garante, no mínimo subsidia, a qualidade do exercício profissional. Será preciso lembrar quantos casos para demonstrar o contrário? Escola Base? A edição do debate Lula-Collor? A sanha de abutres na morte de Isabella Nardoni? Ou o assassinato de “garota Eloá”, promovido por diplomados?

Aliás, menos: é só ler jornais, revistas; acompanhar rádio e televisão; ler os famigerados releases das assessorias de imprensa. Em geral, o jornalismo praticado no Brasil é tecnicamente medíocre, a repetição de si mesmo, quem viu um viu todos. Não falo de ética, compromisso social, não sonho tanto. Penso na proclamação do textozinho padrão, o verbo “disse” após a citação, a malandragem da isenção, da imparcialidade, a incapacidade narrativa, a capacidade de aliciar sem ser sexy. O jornalismo brasileiro ainda não decidiu se pronuncia “risco de vida” ou “risco de morte” e chama o PCC de “quadrilha que age dentro e fora dos presídios”, evidenciando-os com a expressão pomposa que pretendia ocultá-los.

Os jornalistas também esperneiam pela possibilidade de perderem conquistas históricas. Ora, por séculos existimos sem diploma, coisa que imperou no Brasil por somente 40 anos. Não estou negando os nacos arrancados a duras penas das montanhas de dinheiro desse bando de Tio Patinhas, empresários da comunicação. Porém grandes conquistas dos trabalhadores em jornalismo são anteriores à ditadura e à exigência do diploma, tipo a instituição do primeiro piso salarial e da jornada de cinco horas, resultado da greve de 1961, organizada pelo sindicato dos jornalistas de São Paulo - mas quando foi mesmo a última greve dos jornalistas, a mobilização que deu notícia?

Fico me perguntando sobre a nossa situação. Pesquisas demonstram que a profissão figura entre as mais insalubres e, após quarenta anos da “categoria organizada” no Brasil, somos explorados ao extremo, recebemos miséria, trabalhamos pra cacete.

Sabe qual o salário de um jornalista na capital paulista? O piso é de R$ 1.738,25 para quem trabalha cinco horas (duvido que exista um) em jornal ou revista. No interior, rádios e televisões pagam R$ 861,85. Imagino que vários cozinheiros ganhem melhor.

Sobre os presumíveis direitos dos jornalistas, risíveis. Inúmeras redações funcionam com legiões de diplomados “contratados” temporariamente. A Editora Abril, a maior do ramo, ajusta freelancers por exatos dois meses e 29 dias, para não caracterizar vínculo empregatício aos três meses. Surgiu “no meio jornalístico” a expressão de todo escrota: “frila-fixo”. Designa o jornalista temporário que trabalha direto e reto na mesma empresa, às vezes anos, sem nenhum direito.

Para os que defendem seus canudos, duas perguntas: por que vocês aceitaram e aceitam ter aulas, talvez a maioria delas, com professores que não são nem nunca foram jornalistas, inclusive em disciplinas específicas? Não seria mais, digamos assim, lógico, receber formação de gente da área, já que, como diz a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o jornalismo é “uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética”?

Há ainda o argumento da “contratação de qualquer um” pelas empresas de comunicação. Percorri os telejornais e desde a decisão do Supremo Tribunal Federal não assisti a cena clássica, filmada do helicóptero, a fila de candidatos a emprego dobrando a esquina, hordas de bárbaros aspirantes ao jornalismo prestes a invadir as redações, suas pastinhas nervosas no sovaco, o currículo dentro.

Não haverá “invasão”, palavra que amestrados diplomados usam sempre para denegrir a legítima e última solução da gente mais explorada deste país. Amestrados: são conhecidos “no meio jornalístico” pela acrobática alcunha de “focas”. Com o fim da reserva de mercado, lo siento, os penetras com vocação e preparo, sim, concorrerão com nosotros.
Dando aulas em cursinhos populares, inclusive dentro da Universidade de São Paulo (USP), cansei de ouvir lamentações de jovens pobres que sonhavam um dia ser jornalistas, mas não podiam, não poderiam nunca concorrer à vaga na universidade pública, nem financiar a particular. Treta, né? Quanto vale um sonho impedido?

Por fim, relaxem, os cursos de jornalismo sobreviverão, e nem sei se precisarão justificar sua existência. Em geral eles prestam enorme serviço aos patrões formatando o futuro profissional, aulinhas de lide durante meses, exercícios práticos que achatam a criatividade, a sagacidade, o tesão dos alunos com asneiras do tipo “não use adjetivo”, “seja objetivo”, “seja imparcial”. Não duvido nada que permaneçam as picaretagens típicas de sala de aula, aqueles mestres que vivem de um difuso, duvidoso e remoto passado profissional, ou os chatos capazes de criar esta impossibilidade ambiental: o clima de marasmo tenso.

Continuidades à parte, torço agora pelo próximo passo evolutivo: a extinção da obrigatoriedade do diploma de Direito. É praticamente impossível, eu sei, inclusive a Ordem dos Advogados do Brasil apóia a exigência para jornalismo, imagina se mexerão no deles. Mas não custa nada sonhar com o dia em que velhinhos não precisarão mais recorrer a um advogado para pedir revisão de aposentadoria, por exemplo.

Marcos Zibordi é jornalista.

As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não estão necessariamente de acordo com os parâmetros editoriais da Caros Amigos.

24 de junho de 2009 - Por Marcos Zibordi

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DIPLOMA DE JORNALISTA: O BURACO É MAIS EMBAIXO

Por Wagner Nabuco

“...sambista não tem valor nessa terra de doutor e seu doutor o meu pai tinha razão”, canta Paulinho da Viola, no samba intitulado “14 anos”. Acrescento ao sambistas sem valor os pedreiros, carpinteiros, maquinistas, estivadores, lixeiros, lavradores, camponeses, cortadores de cana, peão de fazenda e de obra, barrageiros, bóias frias, ascensoristas, cobradores, motoristas, carregadores, domésticas, faxineiras e pescadores. A lista é imensa. Esses milhões, a ninguenzada, como dizia o saudoso Darcy Ribeiro, que construíram e constroem o Brasil, têm um traço em comum: exercem profissões de trabalho manual. E é aqui que a cousa pega. Nesse nosso país de doutores, trabalho manual, braçal, é quase indigno. Vale pouco e ganha pouco, herança terrível de 400 anos de escravidão, que pesa sobre nossos ombros.
Vejam que exemplo histórico: José Thomaz Nabuco, filho do intelectual e abolicionista Joaquim Nabuco, no livro “Um médico do Brasil Colônia”, editora Nova Fronteira, 1986, às tantas narra que nosso antepassado comum, Manoel Fernandez Nabuco, chegado à Bahia em 1763, vindo da Vila de Escalhão, Portugal, era médico, naquela época chamado cirurgião, e para ter seu diploma reconhecido pelo cirurgião mor da corte e a licença de “el rei” para exercer sua profissão precisou provar que seus pais e avós paternos e maternos viviam de “suas fazendas”, ou seja: das suas rendas, o que significava não terem exercido trabalhos manuais ou braçais.
Que carga pesada herdamos. Para limpar essa marca ignóbil, que vem de muito longe, ter um diploma universitário é uma das formas mais buscadas e aceitas. Então dá-lhe abertura de faculdades de fachada, arapucas pra tomar dinheiro basicamente dos filhos dessa “ninguenzada” que listei antes. O cidadão, a cidadã, vai continuar feirante, mecânico, manicure, vendedora, auxiliar administrativo, mas poderá, com orgulho, dizer “eu tenho um diploma da faculdade”, ou melhor e mais bonito, “eu sou doutor”.
Todos os bacharéis e licenciados formados no ensino superior são doutores sem ter feito mestrado e muito menos doutorado. São os advogados, médicos, dentistas, engenheiros, procuradores, juízes, deputados... até os delegados de polícia. Os bacharéis que são doutores.
Como titulei, o buraco é mais embaixo. O que precisamos, de fato, é tratar dignamente, principalmente remunerar dignamente todo esse povo, esses milhões que fazem nosso país. Se assim fizéssemos, não haveria essa pressão violenta para conseguir o diploma universitário. Uma boa formação, um bom ensino de segundo grau, um bom salário bastariam para uma vida digna e cidadã.
A profissão de jornalista é muito importante, fundamental mesmo para se construir sociedades democráticas, plurais, mais justas e igualitárias. Seu reconhecimento e regulamentação não deve se limitar à obrigatoriedade do diploma universitário. Deve ser bem remunerada, protegida nos seus direitos e benefícios e admirada pela qualidade da sua produção, independência, senso crítico e ético e não apenas por um diploma que, no mais das vezes, veio de faculdades nascidas para aplacar a mancha horrenda de não sermos doutores.
Com essa visão, me pergunto por que precisamos de advogados, que obrigatoriamente precisam de diplomas de faculdades de direito, geralmente de baixíssima qualidade. Deveríamos também poder defender nossos direitos de cidadãos frente a qualquer arbitrariedade, seja da esfera pública ou da privada, com ou sem advogados, mas sim protegidos por uma vivência democrática, a constituição federal e um conjunto de leis conhecidas e respeitadas. Assim fosse e esse imenso cartório, essa reservona de mercado seria menor e menos nociva. Nada contra os advogados, penso que isso vale para muitas outras profissões que poderão ser exercidas sem a obrigatoriedade do diploma universitário específico. Claro que a sofisticação e diversidade das atividades econômicas exigem formação especializada, inclusive bons advogados. Mas insisto: não é apenas a obrigatoriedade do diploma que a possibilita.
Essas reservonas não interessam aos jornalistas, às suas lutas e reconhecimento. Penso que eles precisam trazer para esse nobre ofício um número cada vez maior de gentes com talento, com ou sem o diploma, inclusive os milhares de jovens que hoje lutam para dar voz à suas comunidades através de rádios comunitárias, jornais, revistas, blogs e outros variados meios por todo esse nosso Brasil.
Wagner Nabuco é historiador, diretor-geral da Caros Amigos, sem diploma de administrador de empresas.
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23 de junho de 2009

As linhas tortas do diploma de jornalismo

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o exercício profissional do jornalismo não é mais exclusividade dos diplomados nos cursos de Comunicação Social – Jornalismo. E agora? Agora é preciso que se coloque a decisão e seus efeitos nos seus devidos lugares. Por Cristina Charão
A tese que sustenta a decisão do Supremo, de que a regulamentação da profissão de jornalista tal como estava colidia com o conceito de liberdade de expressão e com os tratados internacionais a este respeito, é lógica. Deixemos por um instante de pensar no cenário das grandes redações de poderosos grupos de mídia e visualizemos a seguinte situação: na fictícia cidade de Cacimbinhas de Cima da Serra, a associação de moradores se dá conta que a localidade não conta com nenhum veículo de comunicação que produza noticiário de acordo com as reais necessidades da população local. Assim sendo, promovem uma quermesse, reúnem o dinheiro necessário e passam a produzir um jornal, folha A4, frente e verso. Mas não há entre os associados ou em toda a cidade nenhum jornalista diplomado. A letra fria da lei que regulamentava a profissão de jornalista diria que todos os três moradores de Cacimbinhas de Cima da Serra que semanalmente escrevem para o jornal estariam exercendo ilegalmente a profissão e a associação de moradores seria multada por isso. Multa esta que, para ser paga, exigiria gastar os últimos recursos da quermesse e, assim, adeus à Folha de Cacimbinhas.
Pena é saber que não foi necessariamente esta a situação imaginada pelos ministros do STF quando proclamaram seus votos a favor da não-obrigatoriedade. A pressão dos grupos de mídia nacionais, cujo jornalismo é a grande máquina de produção da dita “opinião pública”, foi fundamental para a derrubada da regulamentação da profissão de jornalista. O velho ditado do escrever certo por linhas tortas se aplica à questão e impõe a tarefa de percorrer estas vias tortuosas se quisermos que a história que segue tenha como pauta o direito à comunicação.
Representantes da Associação Nacional de Jornais desfiaram argumentos a favor da liberdade de expressão quase nos fazendo acreditar que, agora sim, dona Maria terá sua opinião sobre as cotas nas universidades publicada na Folha de S. Paulo e seu Zé poderá se postar na portaria da Rede Globo com um cartaz “Filma eu, William Bonner” e, pronto, estará no Jornal Nacional. É preciso, portanto, que fique claro: a decisão do STF não muda a lógica com que os grandes grupos produzem seu jornalismo. Poderão, talvez, mudar algumas peças nas redações. Poderão economizar, num futuro próximo, com a contratação mais precária de funcionários, caso o sindicalismo insista na tática do avestruz-bacharel, enfiando a cabeça em uma pilha de diplomas, e não enfrente – finalmente! – o desafio de criar uma nova regulamentação profissional que proteja os trabalhadores e não a máquina da burocracia universitário-sindical.
A decisão do STF só surtirá efeitos democratizantes se for acompanhada de dois tipos de medidas. É preciso qualificar os cursos de Comunicação para que sejam capazes de dar uma perspectiva mais crítica ao exercício do jornalismo, seja pela sua produção acadêmica, seja pela formação de quadros profissionais que se imponham nas redações pela sua capacidade diferenciada. E é preciso, especialmente, medidas que imponham uma nova lógica ao sistema de comunicações e permitam às Folhas de Cacimbinhas, agora livres do impeditivo legalista do regulamento profissional, existirem de fato. A certeza arrogante de que estas medidas jamais serão tomadas é que faz com que os empresários da comunicação defendam a decisão, afinal, democratizante do STF.
Fatos que justifiquem a arrogância do empresariado não faltam. Para ficar apenas nos exemplos do Poder Judiciário, o próprio STF ainda não julgou Ação de Inconstitucionalidade contra o decreto que criou o Sistema Brasileiro de TV Digital, questionado especialmente por dar – sem observar os trâmites constitucionais – mais espaço para transmissão de sinais aos atuais concessionários, diminuindo também a possibilidade da entrada de novos atores no cenário da TV brasileira. Tampouco a Justiça tem sido célere em julgar casos de violações dos direitos humanos por diferentes mídias ou aqueles que questionam diretamente a concentração da propriedade de veículos de comunicação, como o processo contra o Grupo RBS em Santa Catarina.
O trabalho dos que defendem a não-obrigatoriedade do diploma específico para o exercício profissional do jornalismo sem a hipocrisia dos empresários começa agora.
Cristina Charão é jornalista
As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não estão necessariamente de acordo com os parâmetros editoriais da Caros Amigos.
Originalmente postado no site Observatório do Direito à Comunicação
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18 de junho de 2009

Fim do diploma para Jornalista

STF atende ao pedido das grandes empresas

Por Hamilton Octavio de Souza

O Supremo Tribunal Federal decidiu retirar da regulamentação da profissão de JORNALISTA a exigência de diploma específico de curso superior de JORNALISMO. Essa exigência existe desde a regulamentação de 1969. Passou a vigorar em 1971. Nunca foi limitação para a liberdade de expressão e nunca impediu ninguém de colaborar e participar das atividades jornalísticas e dos meios de comunicação. Os jornais e as revistas estão cheios de articulistas não-jornalistas. É só ver os colaboradores da página 2 da Folha de S. Paulo: Antonio Ermírio de Moraes, Delfim Netto, Emílio Odebrecht, Marina Silva, Cesar Maia etc...
A exigência tem servido para definir o perfil da categoria profissional, quem vive do trabalho jornalístico, quem tem no jornalismo a sua atividade principal, quem tem vínculo empregatício como jornalistas. Para essa categoria, a exigência do diploma foi uma conquista importante - na medida em que estabeleceu área específica de estudo, reflexão e pesquisa, aperfeiçoamento técnico e comprometimento ético e político. Contribuiu para elevar o nível intelectual e cultural da categoria - de maneira geral, apesar dos cursos ruins e picaretas (como em todas as áreas do ensino superior público e privado).
Há anos que as empresas jornalísticas fazem campanha contra a exigência do diploma, basicamente pelos seguintes motivos: 1) Ficam liberadas para contratar quem bem entenderem no grande exército de reserva (desemprego de mais de 30% entre os jovens de 18 e 25 anos); 2) Aumentam a pressão para rebaixar ainda mais os salários, sem o menor respeito aos pisos salariais conquistados pela categoria profissional; 3) Podem ampliar o esquema de super-exploração dos trabalhadores do jornalismo (sem vínculo, PJ, frila fixo, produção para vários veículos, não pagamento de direitos autorais etc), enfim, podem fazer no setor da comunicação o que fazem com a terceirização da mão de obra nos call center da vida; 4) Podem aumentar o controle ideológico de seus trabalhadores jornalistas sem conflitos éticos e compromissos sociais (os jornalistas, queiram ou não, têm uma noção mais próxima do jornalismo como serviço de interesse público - do que interesse privado dos grupos econômicos).
Portanto, a derrubada do diploma é antes de mais nada uma vitória do capital. O que fazer?
O jornalismo brasileiro tem mais de 200 anos de história. A categoria profissional se reconhece como tal há mais de 80 anos. O sindicato dos jornalistas de São Paulo foi fundado em 1937. Antes da exigência do diploma, a categoria já havia conquistado a jornada de trabalho (5 horas + 2 horas extras = 7 horas), o piso salarial (que já foi de seis salários mínimos) e outros benefícios profissionais. Isso foi feito com luta. A defesa das conquistas da categoria depende exclusivamente da mobilização, organização e combatividade da própria categoria. Nada mais do que isso.
A exigência do diploma durou 40 anos. Contribuiu para consolidar o profissionalismo da categoria, mas também foi um grande estímulo ao aparecimento dos cursos de picaretagem - as verdadeiras arapucas do ensino superior - que se aproveitaram dessa "reserva de mercado de trabalho" para ganhar dinheiro (lucro) e inundar a profissão de pessoas despreparadas e não comprometidas com o papel transformador do jornalismo.
A não exigência do diploma coloca um novo desafio para os cursos de Jornalismo: conquistar o seu próprio espaço na sociedade e a sua própria inserção no mercado de trabalho profissional. As boas escolas, os bons cursos continuarão como referência do JORNALISMO e continuarão formando bons jornalistas para a sociedade brasileira.
Ainda é preciso ver qual será a exigência para o registro da profissão, se haverá ou não registro profissional. Mas, de qualquer maneira, mais do que nunca, agora, os cursos de jornalismo precisam deixar claro a que vieram, quais são as suas virtudes na formação de jornalistas, quais são as suas visões de mundo e do jornalismo que a sociedade brasileira realmente necessita.
O debate está aberto. Não dá para fugir dele...
Hamilton Octavio de Souza.
Jornalista e Professor da PUC-SP.
As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não estão necessariamente de acordo com os parâmetros editoriais da Caros Amigos.
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TORRES DE TRANSMISSÃO - CAMPOS MAGNÉTICOS

TORRES DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA:

CAMPOS MAGNÉTICOS PODEM CAUSAR DANOS À SAÚDE

Campos magnéticos atingem moradores próximos a linhas de transmissão

Mais de 150 mil moradores da cidade de São Paulo estão expostos a campos magnéticos gerados por linhas de transmissão aérea de energia elétrica em níveis que podem provocar riscos à saúde humana. A estimativa faz parte de uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que mapeou as áreas do município mais expostas e as características da população afetada. O estudo aponta que as regiões de maior exposição apresentam baixos níveis de escolaridade e renda entre os moradores.

O geógrafo Mateus Habermann avaliou a prevalência de exposição aos campos magnéticos na população da cidade de São Paulo. “Foram consideradas áreas expostas aquelas com campo magnético igual ou superior a 0,3 microtesla, nível apontado na literatura científica como de risco estatisticamente significante de leucemia infantil”, aponta. Ao mesmo tempo, o pesquisador verificou as diferenças socioeconômicas entre as pessoas expostas e não expostas. “O estudo se baseia na idéia de Justiça Ambiental, surgida nos Estados Unidos, onde se constatou que populações marginalizadas eram mais sujeitas a riscos ambientais”.

A análise das informações sobre os 572,1 quilômetros de linhas de transmissão na cidade de São Paulo mostra que as áreas mais expostas aos campos magnéticos formam um corredor ao longo do percurso das linhas, abrangendo uma área de 25 quilômetros quadrados. Conforme as dimensões e características técnicas das linhas de transmissão, esses corredores apresentaram entre 50 e 130 metros de largura.

“A extensão é maior do que as áreas de servidão, espaços reservados exclusivamente para a passagem das linhas”, ressalta Habermann. A população que vive nos corredores é estimada em 152.176 habitantes (1,4% da população de São Paulo), em 40.677 domicílios (1,3% da cidade), com base nos dados do censo demográfico de 2000.

Renda

A partir das informações sócio-econômicas das áreas expostas, a pesquisa mostra que a prevalência aos campos magnéticos diminui conforme aumenta a idade da população. “Aproximadamente 46,6% das pessoas nesses locais tem menos de 24 anos”, conta o geógrafo. Dentro dos corredores, 48% da população não tem instrução ou menos de cinco anos de estudo. “Um terço dos chefes de domicílio que vivem nas regiões expostas não possuem renda ou ganham menos de dois salários mínimos”.

A mesma metodologia usada no estudo da Capital paulista foi aplicada nos demais municípios da Grande São Paulo, apresentando resultados semelhantes. “Em outra pesquisa da FMUSP, comparou-se a distância da residência de pessoas que faleceram de leucemia, câncer no cérebro e neoplasias do sistema nervoso central em relação às linhas de transmissão”, relata o pesquisador. “os resultados mostraram que o risco de leucemia entre pessoas com mais de 40 anos é maior em áreas situadas a 50 metros das linhas de transmissão”.

O estudo de Habermann faz parte de um projeto de pesquisa sobre linhas de transmissão de energia, coordenado pela Associação Brasileira de Compatibilidade Eletromagnética (Abricem). Denominada EMF-SP (de Electromagnetic Fields, campos eletromagnéticos, em inglês), a iniciativa reuniu pesquisadores de diversas instituições, como a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O trabalho do geógrafo, descrito em sua dissertação de Mestrado, teve a orientação do professor Nelson Gouveia, do Departamento de Medicina Preventiva da FM.

O EMF-SP foi financiado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e as conclusões dos estudos foram encaminhadas para as concessionárias de serviços de eletricidade. “Fica a critério delas fazer as mudanças necessárias para diminuir a intensidade do campo magnético emitido pelas linhas de transmissão aéreas”, aponta Habermann. Sugere-se que os campos magnéticos podem ser mais um fator de risco que a população socioeconomicamente mais vulnerável está exposta, assim como outros problemas urbanos como poluição do ar, inundações, proximidade de aterros sanitários, entre outros.

http://ambienteacreano.blogspot.com/

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Júlio Bernardes

jubern@usp.br

Agência USP de Notícias