LEGISLAÇÃO MUNICIPAL

LEI Nº 2325 DE 12 DE ABRIL DE 2010.

DISPÕE SOBRE A PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL NA ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ.

O POVO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ, por seus representantes na Câmara Municipal, aprovou e o Prefeito Municipal, em seu nome, sanciona a seguinte Lei:

Art. 1º A sociedade civil participará da elaboração do Orçamento do Município de Maricá, por meio de audiências públicas regionais, onde serão discutidas as propostas orçamentárias.

Art. 2º A participação da sociedade civil no orçamento do Município ocorrerá com a realização de audiências públicas regionais, em número e locais segundo a abrangência e o interesse de cada tema, anunciadas amplamente por veículos de comunicação local.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

GABINETE DO PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ, Estado do Rio de Janeiro, RJ, 12 de abril de 2010.

WASHINGTON LUIZ CARDOSO SIQUEIRA (QUAQUÁ)

PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MARICÁ

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

FIM DO PARQUE ECOLÓGICO DO MENDANHA


O FIM DO PARQUE ECOLÓGICO DO MENDANHA

Esta Unidade de Conservação era a mais bem preservada do município e uma das raras com a situação fundiária resolvida.

Foi sancionada a Lei Municipal 4.899/08 e publicada no Diário Oficial da Cidade do Rio de Janeiro no dia 18/08/08, após ser sancionado pelo Prefeito César Maia, que extingue o Parque Ecológico do Mendanha (atual Parque Natural Municipal da Serra do Mendanha - renomeado devido ao SNUC), para transformá-lo em uma Área Especial de Interesse Social. Esta categoria se destina a dar títulos de propriedades e para implantar programas sociais, tais como: conjuntos habitacionais, favela bairro, etc.

A área em questão é de Floresta Ombrófila Densa, a mais bem conservada da Cidade do Rio de Janeiro e de toda a Região Metropolitana do Estado do RJ.

Toda a Secretaria de Meio Ambiente foi tomada de surpresa, pois uma consulta havia sido realizada e todos foram contra o projeto. Mas ao apagar das luzes de um mandato, o VEREADOR JORGE FELIPPE submeteu um projeto que vai na corrente contrária da conscientização ambiental mundial. Pior é que a Câmara de Vereadores aprovou e o Prefeito sancionou...

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é revoltante!!!!
cinthia | 09.27.08 -

Ninguém fez nenhuma petição contra isso?
Barbara | 09.27.08 -

Sinto envergonhada por tanto despreso ,são pessoas que não tem amor proprio,não tem um pouco de compaixão pela natureza ;o que vão fazer com os animais ,com os passáros ,se ele colocar todos em sua casa pode fazer o que quiser .Ele tem que lembrar que terá netos e irão crescer o que vai ser da vida deles e de outros que estão para nascer.
Angela Maria Siqueira Salomão | 09.27.08 -

enviem mensagens de repudio para a câmara, para o prefeito e para o indigníssimo vereador (jorge.felippe@camara.rj.gov.br). Mas também divulguem, pois não podemos ficar de braços cruzados e entregar uma área pública que tem vocação para a preservação, ecoturismo e fins científicos, que foi solicitada por iniciativa popular ficar sem uma proteção mais restritiva, como um Parque Natural.
Helio cunha | 09.26.08 -

Não acredito que isso vai realmente acontecer!!!!!!! Temos que fazer algo, URGENTE!!!!!
Não tem como algo ser feito com relação a essa terrível notícia???
Tatiane | 09.26.08 -

Interesses especulativos sempre são colocados à frente de qualquer coisa, da natureza aos valores éticos. Embora o Brasil seja um país riquíssimo e belo, eu às vezes me envergonho de ser brasileiro por causa de gente assim. Lembrem-se bem do nome desses vereadores que aprovaram o projeto e do meretríssimo governador para não votar neles dessa vez. Talvez ainda tenha tempo de queimar suas imagens publicamente para que políticos safados como esses não corrompam nossos patrimônios naturais.
sandro | 09.26.08 -

Brincadeira! Isso é uma atividade criminosa contra todo ser vivo. Não há como evitar que isso ocorra? Talvez entrarmos com um pedido de tombamento como patrimônio natural da humanidade? O que nós poderíamos fazer?
Rafa Campos | 09.26.08 -

novamente a flora e fauna paga o preço dos erros humanos.
filipe da silva siqueira | 09.26.08 -

Esses são os nossos governantes !!!
Anonymous | 09.25.08 -

O que devemos fazer para tentar reverter esta situação??
Caíme | 09.25.08 -

in-a-cre-di-tá-vel!!!
Jair Almeida UFRJ | Homepage | 09.25.08 -

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

LEI 11.785 - CDC - CONTRATOS - TAMANHO DA LETRA


Alteração no CDC determina tamanho mínimo de letras de contrato A Lei 11.785 altera o artigo 54 do Código de Defesa do Consumidor. Os contratos de adesão deverão ser redigidos com fonte superior ao tamanho 12. O CDC já exigia que os contratos fossem legíveis, mas não especificava o tamanho mínimo das letras.

DIREITOS DO CONSUMIDOR

Alteração no CDC determina tamanho mínimo de letras de contrato

A Lei 11.785, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), altera o terceiro parágrafo do artigo 54 do Código de Defesa do Consumidor. A partir de sua publicação no Diário Oficial da União nesta terça, dia 23/9, os contratos de adesão deverão ser redigidos com fonte superior ao tamanho 12. O CDC já exigia que os contratos fossem legíveis, mas não especificava o tamanho mínimo das letras.

No entendimento do Idec, o ideal seria que fornecedores de produtos e serviços observassem o que já está na redação atual do CDC, sem precisar modificá-lo a este nível de detalhe. Caso a boa fé não prevaleça entre os fornecedores, a modificação pode ser inócua, já que a nova redação do artigo só define o tamanho da letra e não o seu tipo - os vários tipos de letras que existem têm dimensões relativas diferentes, mesmo que todos tenham tamanho 12.

Além disso, é importante que o novo enunciado, estipulando o tamanho mínimo das letras em 12 pontos, não sirva de álibi para fornecedores em eventuais disputas judiciais, já que podem existir pessoas para as quais este tamanho de letra permanece insatisfatório.

O CDC (Lei 8.078), que completou recentemente 18 anos, tem como uma de suas características mais marcantes a generalidade, ou seja, ela não procura regular detalhes das relações de consumo mas sim de estabelecer os parâmetros em que essas relações devem acontecer, garantindo os direitos da parte mais frágil - o consumidor. Lamentavelmente, o cumprimento do CDC ainda precisa ser exigido pelas pessoas, entidades e determinado pelo Poder Judiciário. Regulamentações específicas como esta sequer deveriam ser necessárias. Mas quando inevitáveis, podem constar de portarias e regulamentos, a exemplo do recente decreto federal, que regulamentou os Serviços de Atendimento ao Consumidor (SACs).

O risco é querer se modificar as leis a cada nova necessidade particular que surge em períodos relativamente curtos de tempo.
23 de Setembro de 2008 - IDEC EM AÇÃO -

http://www.idec.org.br/emacao.asp?id=1620

ELEIÇÕES E O MITO DE SÍSIFO


Eleições e o mito de Sísifo‏

De: tribunaonline@
em nome de raymundo araujo (raymundoaraujobr@)
Enviada: segunda-feira, 22 de setembro de 2008 13:42:22
Responder-Para: raymundoaraujobr@
Para: Tribuna Online (tribunaonline@)

Eleições e o mito de Sísifo

*Raymundo Araujo Filho set/2006 (mas atualíssimo)

Outro dia estava na fazenda em que trabalho com produção ecológica de leite, quando ao fazer uma tarefa diária e comum em toda a criação de vacas leiteiras, veio-me à memória a história do mito de Sisifo.

Como sabem, o enredo deste arquétipo humano diz respeito á condição de um ser, condenado a carregar uma grande pedra morro acima, vê-la rolar morro abaixo, para ele ir buscá-la e tornar a levá-la para cima e ver acontecer tudo de novo, e pela eternidade. Esta foi a condenação divina, à Sísifo.

E eu, todos os dias a carregar esterco das vacas recém ordenhadas, em várias “viagens” de carrinho de mão, do curral para a esterqueira, distante cerca de 50 metros e com ligeira inclinação para cima, aumentando o esforço para que possamos cumprir tal tarefa, repetitiva e diária, na atividade leiteira. Considero ente o “momento zen” da suave e doce vida no campo.

Lembrei-me logo de Sísifo, relacionando que esta atividade diária exercida no meio rural tem tido resultados econômicos desastrosos para o produtor, apenas engordando os poucos laticínios (muitos estrangeiros) que monopolizam o setor e, de forma cartelizada e ilegal (com o beneplácito dos governos) dita os preços pagos ao produtor. Por isso estamos aqui na fazenda, finalizando a construção de uma pequena fábrica artesanal, para comercializarmos, nós mesmos, nossos queijos e produtos derivados do leite.
Mas Sísifo tem me aparecido constantemente. Outro dia estava dentro do ônibus que me leva da cidade até a fazenda, no final da tarde, em estrada que liga dois minúsculos municípios mineiros, e vi uma jovem de uns 18 anos, sentada no banco da frente lendo.....O Mito de Sísifo. Estranho e pujante país, este Brasil...

Recorreu-me imediatamente o meu pensamento dos dias anteriores, quando carregava o esterco para a esterqueira.

E me veio à memó ria, a melhor interpretação do mito de Sísifo que conheço. Esta interpretação pertence ao grande escritor argelino, Albert Camus, que no meu entender sempre fez um contraponto intelectual instigante ao existencialista Jean Paul Sartre, este o preferido das esquerdas marxistas e quetais. Camus sempre foi um “maldito”. Muito sedento por independência e autonomia política, para os então partidários de Estálim e do imperial-socialismo, que ainda tinha o seu charme no pós guerra.

Albert Camus, neste seu livro tese sobre o mito de Sísifo, logo na primeira página diz que se a Filosofia emanada por alguns filósofos, fosse seguida pelos seus próprios autores (citando um postulado de Nieztche), nada restaria senão o suicídio para muitos. No meu entender, este foi um fino chiste lançado na direção de Sartre e seu existencialismo (“o inferno são os outros”), ressaltando a visão de um verdadeiro intelectual não colonizado, como foi Camus.

Mas não só isso (seria muito pouco para Camus). Discorre belamente sobre o dilema entre valer ou não valer a pena viver. Acaba com qualquer hipocrisia, muito corriqueira na época, principalmente entre os chamados existencialistas que, mantendo os privilégios de suas vidas burguesas ou pequeno burguesas emanavam uma visão deprimida da existência humana. Camus era da Argélia, país colonizado e trucidado militarmente pelos franceses. Talvez não tivesse tempo (nem estômago) para estas contradições sartrinianas.
Assim sempre foi o existencialismo sartrinano, aos meus olhos. Uma total dissonância entre o pensar e o agir.

Mas Camus fala de Sísifo sob um aspecto totalmente inusitado. Ele busca descobrir que tipo de motivação impelia Síssifo a continuar com energia suficiente para a sua tarefa penosa, inútil e eterna.

Nos brinda o genial escritor argelino, nos estimulando a pensar na sensação de alívio, relaxamento e descanso, sentida por Sísifo, a cada ciclo terminado de sua tarefa-castigo, sensação esta que se dava exatamente quando ele iniciava a descida do morro, de mãos vazias, sem ter de empurrar a miserável pedra, morro acima, completamente extenuado. Um momento de prazer (=gozo) recorrente, previsível e eterno, assim como o seu castigo.

E conclui que é denotando os momentos de felicidade que podemos ter em nossas vidas, que se justifica o próprio ato de viver. A busca incessante da “felicidade plena”, nada mais é do que uma postura neurótica e típicamente pequeno burguesa, e um prato cheio para lamúrias existencialistas.

Ao meu ver, é por isso que o existencialismo de Camus corre para uma direção totalmente diferente ao de Sartre e seus seguidores. Um cidadão, como Camus nascido em um país ocupado e colonizado por outro, não pode se dar ao luxo de choramingos. Tem de decidir, no dia a dia, se a vida vale a pena, e sem os deleites da vida burguesa. Já os sartrinianos....

Penso agora nas eleições brasileiras.

Vejo-as como um exercício semelhante ao castigo imposto a Sísifo. De dois em dois anos, a população é convocada sob festa e arroubos cívicos a “decidir” o futuro da nação, elegendo representantes (que na verdade, têm representado apenas seus próprios interesses). Para, logo depois o pleito, amargar quatro anos de decepções e desmazelos, quanto a atuação de seus “representantes”.

O pleito eleitoral seria aquele frugal momento de “gozo cívico” em frente a tal urna eletrônica que, mesmo sem fornecer nenhuma garantia de lisura eleitoral, relaxa e renova as falsas esperanças. Os quatro anos seguintes são os que carregamos nas costas e morro acima as pedras e os eleitos, que se deleitam às nossas custas.

Que motivação pode ter um eleitorado para que, de dois em dois anos compareça às urnas, para eleger representantes ilusórios de sua cidadania? Só me ocorre que, tal como Sísifo, a população na certeza de ter algum parco gozo de dois em dois anos, com as eleições, submete-se nos quatro anos seguintes, a amargura dos desmandos em seu nome, exercido pelos políticos que elege, como se fosse a única tarefa possível para o exercício da cidadania.

A certeza de um parco momento de relaxamento e esperanças (mesmos vãs), já aquieta o nosso povo impedindo que acorde deste pesadelo de dominação econômica, militar e comercial que nos é imposta pelo neoliberalismo capitalista..

Acorda Povo Sísifo! Voto Nulo Nelles!

*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e admirador de intelectuais verdadeiros.

P.S. - Como forma de angariarmos simpatia popular para a proposta do Voto Nulo como protesto eleitoral, penso que tentar eleger parlamentares que tenham uma perspectiva da utilização do parlamento para a contestação da ordem burguesa, sem a participação no jogo do Poder, ainda vale a pena. Portanto o Voto Nulo para os cargos executivos é a proposta que abraço taticamente, neste momento.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

URNAS ELETRÔNICAS COM LINUX


Urnas eletrônicas terão Linux e biometria em 2008

SÃO PAULO - As urnas eletrônicas que serão usadas no pleito de 2008, que escolhe os novos prefeitos e vereadores de todo o Brasil, inauguram o uso de sistema operacional Linux e, em três municípios escolhidos para teste, também o recurso da biometria para identificação do eleitor.

As iniciativas fazem parte da estratégia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de - melhorar a segurança e a transparência do processo, segundo Giuseppe Dutra Janino, secretário de tecnologia da informação do TSE.

Segundo Janino, em entrevista à Reuters, - há várias campanhas no sentido de macular esse processo, - mas, nos 12 anos em que o Brasil se utiliza de urnas eletrônicas, - nenhuma fraude foi comprovada, afirmou.

A decisão de substituir os sistemas operacionais VirtuOS e Windows CE pelo Linux em 100 por cento das 480 mil urnas do país terá três vantagens, de acordo com o secretário.

- Uma delas é a economia - segundo ele, já que o órgão de governo não terá mais de comprar licenças dos antigos sistemas proprietários.

Ele reconhece que foi preciso desenvolver todos os softwares novamente para a troca ao sistema Linux, mas ressalta que - o custo do desenvolvimento se paga na medida em que não se pagará mais pelos sistemas nas próximas contratações.

O ciclo de contratação de novas urnas é de dois anos, de acordo com o crescimento demográfico. O Brasil tem atualmente 130 milhões de eleitores, número que cresce em média 6 por cento a cada dois anos, segundo o executivo.

Outra vantagem da escolha do Linux, segundo Janino, - é a transparência do processo.

Segundo ele, com os antigos sistemas proprietários, o TSE tinha dificuldade em abrir os códigos de programação das urnas a entidades como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e mesmo aos partidos políticos.

A 180 dias de cada pleito, o TSE abre todas as linhas de códigos para esses órgãos para que atestem sua legitimidade, antes das urnas serem lacradas digitalmente.

A terceira vantagem, de acordo com o secretário, é a segurança.

- O software (Linux) é robusto e reconhecidamente seguro, afirmou Janino.

Outra inovação tecnológica do processo eleitoral deste ano será a presença de uma auditoria externa. Em toda eleição, uma comissão capitaneada pelo juiz eleitoral sorteia algumas urnas para acompanhar seu desempenho no dia da eleição.

Neste ano, entretanto, o processo, que já conta com câmeras que filmam a operação da urna, também terá a presença da auditoria Moreira e Associados, selecionada para acompanhar o processo.

O Brasil tem 27 regionais e, em cada uma delas, quatro urnas são sorteadas para a auditoria, como explicou Janino.

IMPRESSÃO DIGITAL

Em outra iniciativa para garantir a segurança do processo, o TSE vai implantar a identificação biométrica do eleitor em três municípios, como parte de um teste piloto.

- Na medida em que eliminamos a intervenção humana, ampliamos a credibilidade do processo, afirmou Janino.

A biometria se caracteriza por identificar o usuário através de alguma característica única de seu corpo. O TSE fará, neste piloto, identificação pela impressão digital, mas está apto também a identificar os eleitores pela face.

Neste ano, as cidades de Fátima do Sul (MS), São João Batista (SC) e Colorado do Oeste (RO), que juntas concentram em torno de 45 mil eleitores, serão as primeiras a adotar a identificação pelas digitais.

- Eliminamos a possibilidade de um eleitor votar pelo outro - destacou Janino, além de ressaltar que, nessas cidades, o processo de identificação fica a cargo do próprio eleitor, e não mais do mesário.

As cidades foram escolhidas por já disporem de urnas equipadas com scanner de digitais e por serem localidades que fariam o recadastramento eleitoral. No processo de recadastramento, os eleitores já colheram suas digitais e foram fotografados para garantir a identificação biométrica.

Janino explica que mesários e eleitores já passaram por simulados nessas regiões.

- A cultura digital já se disseminou nessas três cidades, disse ele.

O secretário explica que, desde 2006, todas as urnas adquiridas são equipadas para permitir a identificação biométrica. Por isso, de acordo com o ritmo de renovação do parque de equipamentos, ele estima que - em um período de cinco a dez anos - o recurso seja estendido para todo o país.

O TSE já firmou 'acordos de cooperação' com vários países, como Paraguai, Argentina, México, Venezuela e Honduras para o empréstimo das urnas brasileiras, mas não tem planos, segundo Janino, de - vender a tecnologia ou o equipamento.

A idéia, segundo ele, é apenas

- transferir conhecimento de uma solução bem sucedida.

Ele acredita que a imagem do país se beneficia.

- Nossa imagem é bem destacada no âmbito internacional, afirmou.

REUTERS - 17/09/2008

domingo, 21 de setembro de 2008

URNA ELETRÔNICA: VOCÊ CONFIA ?


Urna eletrônica: você confia?‏

De: tribunaonline@
em nome de raymundo araujo (raymundoaraujobr@)
Enviada: sábado, 20 de setembro de 2008 19:52:19
Para: w42739@yahoo.com.br;
Tribuna Online (tribunaonline@)

Não Walter. Eu não confio nem em eleições limpas, quanto mais com urna eletrônica sem papelzinho de confere, para caso haver necessidade de recontagem.

Voto Nulo para Prefeitos!

Raymundo

--- Em sáb, 20/9/08, Walter N. Braz Jr. escreveu:

De: Walter N. Braz Jr.
Assunto: Urna eletrônica: você confia?
Para: "Paraíso Concreto" , "Contra os reis e as religiões" , "O reino de Deus" , "Tribuna Online"
Data: Sábado, 20 de Setembro de 2008, 18:00

"A urna brasileira está sendo rejeitada, proibida até, em muitos países, na maioria dos países. Ao contrário do que se pensa, a urna brasileira nem mais no Paraguai. O Paraguai recebeu 120 mil urnas de graça, usou duas eleições e não vão mais usar."

"Hoje se diz muito que não se provou fraude no sistema eleitoral, na verdade não dá pra provar. Essa é a verdade."

(Amílcar Brunazo Filho, moderador do Fórum do Voto Eletrônico e autor do livro “Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico”, em entrevista a Paulo Henrique Amorim. Disponível em
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/materias59.asp

Caros amigos,

quem já procurou informações sobre o assunto sabe que a votação eletrônica, em especial a brasileira, é bem menos confiável do que nos querem fazer crer. Quem tem conhecimento em informática sabe que uma votação eletrônica pode não só ser manipulada sem deixar vestígios como deixar de ser sigilosa. Para ilustrar isso, criei uma planilha do Excel simulando uma votação eletrônica manipulada, que segue em anexo. A planilha é relativamente simples, mas acredito que está de bom tamanho para um objetivo didático. Segue também um texto que encontrei sobre o assunto (as figuras no texto original seguem em anexo).

Um abraço

Walter

"Pessoas inteligentes falam de idéias, pessoas comuns falam de coisas, pessoas medíocres falam de pessoas." (autor desconhecido)

Urna eletrônica: você confia?

No Brasil, o juiz eleitoral faz leis, executa-as e, se houver alguma dúvida, ele mesmo se julga...

Carlos Pimentel Mendes (*)

O voto é secreto e inviolável. Está lá na Constituição. Entretanto, há anos o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), numa afronta aos Três Poderes da República, legisla sobre os processos de votação, executa como quer essas normas (mesmo as que conflitem com a Lei Maior), e, se alguém contesta, o próprio TSE julga as pendências. Assim, é absolvido e ainda tripudia, deixando claro que a garantia do processo eleitoral brasileiro é a palavra do juiz. Não lembra certas republiquetas citadas nos filmes?

Pois é, a urna eletrônica é apresentada como uma conquista da tecnologia nacional. O que raros sabem - porque a sociedade brasileira pouco se organiza para cobrar direitos - é que existem duras críticas, por dar chance a que o voto seja conhecido e alterado. Quem lembra do escândalo Proconsult, no Rio de Janeiro, ou da violação do painel de votação do Senado, pode se preocupar: as urnas ditas seguras são na verdade altamente suspeitas.

E a luta para moralizar esse processo começou em Santos, embora hoje seja mais forte em sociedades avançadas, como a dos EUA. Onde urnas semelhantes às brasileiras (sem impressão do voto) já foram proibidas por lei em dez estados, e a empresa que produz as mais recentes versões da máquina usada no Brasil foi expulsa da Califórnia em abril/2004. Lá existem dezenas de organizações não-governamentais debatendo o voto eletrônico, que promoveram em 13/7/2004 a manifestação The Computer Ate My Vote ("o computador engoliu meu voto"). A grande imprensa dos EUA faz ampla cobertura dessa polêmica - ao contrário da brasileira, que geralmente só relata as posições do TSE.

Na Argentina, um juiz federal proibiu o uso oficial dessas máquinas, mas como o país já as negociava com o Brasil, ficaram à disposição do público para votação simulada. Também foram testadas no México e passarão por testes no Equador. Mesmo na Venezuela, em 2004, a urna era dos EUA e imprimia o voto. Só um país usou o sistema brasileiro: o Paraguai...

Questões – Em 15/10/1996, quando foi publicada a primeira denúncia das falhas da urna, duas questões não tinham resposta satisfatória do TSE. E continuam em aberto, oito anos depois. Na prática, a resposta é a mesma dada pelos contrabandistas internacionais: "la garantia soy io!"

A primeira é quanto ao sigilo do voto. Se o mesário identifica o eleitor num terminal ligado à urna, para liberar a votação, não há garantia de ser impossível ligar o voto ao eleitor e assim descobrir em quem ele votou. Mesmo os programas para embaralhar e criptografar dados podem ser anulados por quem tiver acesso à chamada "porta-dos-fundos" dos programas (método indireto de chegar ao código, usado pelo programador mas não revelado ao cliente).

O TSE alega ter de impedir que um eleitor vote duas vezes. Entretanto, há casos em que mesários liberam por engano a urna com outro número de título eleitoral e, quando o eleitor correto vai votar, é impedido: já votaram por ele. Como aconteceu com dois candidatos a vereador em Niterói. O TSE não faz esse controle, até por que isto revelaria as falhas do processo. Assim, não há desculpa válida para essa estranha identificação do eleitor, em vez do mesário usar uma senha qualquer...

A segunda questão básica é que não há segurança absoluta de que a informação eletrônica seja inalterável - como no famoso escândalo Proconsult, em que parte dos votos destinados a um candidato era desviada para seu adversário. Ora, para cumprir o preceito da inviolabilidade do voto, o único meio até hoje é fazer com que ele seja impresso e conferido pelo eleitor (num visor da máquina) no momento da votação, ficando depositado fisicamente na urna para eventual conferência.

Impugnação – Em todas as últimas eleições brasileiras, os partidos políticos mais atentos tentam impugnar os métodos usados. Como explica o engenheiro de segurança em computação e consultor do Congresso Nacional, Amílcar Brunazo Filho, sistematicamente o TSE posterga ou nega esses pedidos, mas nas eleições seguintes tenta discretamente corrigir os problemas denunciados, o que contribui para melhorar aos poucos o sistema eleitoral eletrônico.

Em 2000, o protesto era por não ser mostrado aos fiscais o programa de criptografia: agora é apresentado. Em 2002, não era permitida a conferência adequada dos programas carregados na urna: em 2004, os partidos podem usar seu próprio programa de verificação. O absurdo da história é que os políticos não se interessam muito em fiscalizar as eleições: só o PT e o PDT se habilitaram para essa verificação.

Em 2004, o PDT apresentou pedido de impugnação com quatro itens, bem significativos da gravidade dos problemas existentes, e o PT estudava também apresentar seu protesto.

O primeiro ponto do protesto pedetista é porque em 2003 foi criado o registro digital do voto, para tentar substituir o voto impresso e conferido pelo eleitor. Assim, o voto é gravado no computador e poderia ser impresso para auditoria posterior. Mas, como o eleitor não conferiu o voto, se houver alguma adulteração no programa a impressão dos votos apenas repetirá o resultado eletrônico. Na forma como foi aprovada, a lei até facilitaria o "voto de cabresto pós-moderno": o eleitor poderia votar para prefeito e em seguida digitar um número para vereador inexistente. Esse número (pré-combinado) ficaria registrado e poderia ser depois conferido por quem quisesse: assim, o eleitor sinalizaria ao "coronel" em quem votou para prefeito.

Percebido o problema, o TSE alterou a lei, pela resolução 21.744, de maio/2004, decidindo que no caso de voto nulo será gravado um código padrão em vez do número digitado. E também decidiu que o arquivo digital não será entregue aos partidos e outras entidades para suas análises estatísticas. Então, o TSE reconhece o risco de divulgar tais informações, apesar do que alegou para convencer os políticos a aprovarem a lei de 2003.

Surgem várias implicações: a primeira é que não existe mais a desculpa da auditoria posterior, para manter na urna um programa que permite imprimir esse arquivo: a lei não prevê auditoria, então por quê o arquivo? Ele é gravado na memória da urna, no decurso da votação, em posições diferentes para não ligar o voto ao eleitor, segundo se afirma. Mas, por ser digital, é fácil de ser copiado. Só na urna está em dois lugares: um cartão de memória flash interno e um externo, de acesso simples (quem quer a informação vai se preocupar com um mero lacre?). Uma cópia criptografada é gravada no disquete que transfere os dados para o sistema totalizador. Este, por sua vez, copia o arquivo do disquete. E o programa recuperador de dados, usado para a manutenção do sistema em caso de pane, também faz mais uma cópia. Que garantia há de que esses arquivos continuem em segurança, principalmente após as eleições?

Algo muito grave, a resolução do TSE mostra que nem sempre é registrado no arquivo digital o que o eleitor digitou. Além disso, pelo Código Eleitoral em vigor, só um juiz pode decidir sobre nulidade do voto, mas o que vemos é a urna decidir se o voto é nulo e como será gravado. Tudo isso ocorre por causa do registro digital do voto - que Amílcar chama de "lei do voto virtual às cegas", já que fica gravado na urna algo que o eleitor não sabe o que seja.

O segundo motivo para a impugnação pelo PDT, em 2004, é que, embora os partidos políticos já possam usar um programa próprio para a conferência dos programas de assinatura digital, tal verificação só pode ser feita na própria urna: o certo seria conferir os dados num computador externo, e não o fiscalizado decidir como quer ser fiscalizado.

Complexo demais - O terceiro item impugnado critica a complexidade do sistema eleitoral eletrônico. Em 2000, quando ele era composto por 10 mil arquivos, a Unicamp apresentou relatório recomendando que fosse simplificado para permitir uma auditoria eficiente. Ao invés, em 2002 o sistema veio com 30 mil arquivos. A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) também criticou que, com tal complexidade, toda a confiança no sistema era baseada nos funcionários do TSE e não no processo em si. Agora, em 2004, já são mais de 60 mil arquivos. Para auditá-los, os partidos têm só 3 dias (dos cinco dias previstos, o primeiro é perdido com a instalação dos programas e o último com a compilação dos mesmos). Não há meio de conferir mais do que 1% do código-fonte usado no sistema.

O quarto item decorre daí: a complexidade surge por que o TSE usa a cada eleição mais um sistema operacional: em 1998 e 2000 era o sistema VirtuOS, em 2002 as urnas tinham Windows CE 4.0 e as de 2004 usaram Windows CE 4.2. Para cada sistema - todos rodando ao mesmo tempo, em diferentes lugares do País - há novos programas proprietários, que não podem ser auditados. Daí a luta para que se use um programa de código aberto e padronizado.

Mas, surgiu um detalhe: por quê em 2004 o TSE não comprou licenças adicionais de uso do Windows CE 4.0, em vez das de uma nova versão? Ficou patente a pressão da Microsoft para que o sistema seja atualizado, com todos os custos decorrentes. Obsolecência Planejada. Questionado a respeito, o TSE demonstrou desconhecer os termos das licenças de uso dos sistemas Windows, que até permitem à Microsoft mudar unilateralmente os termos do contrato - aberração legal notada pelo professor Pedro Resende, da Universidade de Brasília. Impugna-se assim que o TSE não conheça os termos do contrato de licença da Microsoft.

Amílcar completa: "Só existe essa preocupação toda por não haver voto impresso para ser auditado, que seja conferido pelo eleitor - mesmo que num visor da urna - um momento antes de ser guardado. Assim, é preciso ficar conferindo o código-fonte, em busca de inconsistências e brechas para violação do sigilo e alteração nos votos. A Microsoft já reconheceu existirem pelo menos 16 portas-dos-fundos no Windows".

Pressão – Apesar do TSE se ufanar de que o Brasil está na frente em tecnologia eleitoral, os fabricantes da urna são americanos: a Unisys em 2002 e a Diebold em 2000 e 2004. A Diebold - que comprou a brasileira Procomp - forneceu também os programas específicos, como a adaptação para o Windows 4.2. Na Califórnia, essa empresa foi proibida de operar, por ter tentado encobrir uma falha no sistema de totalização nos votos. Que foi parecida com a que em 2002 atribuiu 41 mil votos negativos ao então futuro presidente Lula: os técnicos paralisaram o sistema totalizador, corrigiram o código-fonte e reinstalaram o sistema, tudo isso sem a presença dos fiscais, e não declararam o que tinham feito. Em 2000, aliás, já tinha acontecido algo parecido. A diferença é que na Califórnia a fiscalização é independente, não é feita sob controle dos próprios fiscalizados...

A lei 10.740 de 2003 foi aprovada pelo rolo compressor do TSE: na ata de votação, um senador cita que o ministro Sepúlveda Pertence, presidente do TSE, lhe disse que era para aprovar a lei assim mesmo, depois o TSE faria as correções que julgasse necessárias. O mesmo ministro esteve na Câmara Federal, em reunião com as lideranças partidárias, declarando que tinha pressa em que a lei criadora do registro digital do voto (objetivando acabar com o voto impresso) fosse aprovada logo e sem alterações. Foi aprovada no mesmo dia, em sua presença.

Então, como os deputados e senadores são muitas vezes réus em processos pendentes de julgamento no TSE, basta o juiz pedir ao réu - o legislador - que abra mão de sua função de legislar, passando tal prerrogativa ao juiz. Às favas a independência entre os Poderes da República.

Nem falamos de hackers, Abin, interesses externos. Mas, quem quiser saber mais pode participar, na Internet, dos debates do Fórum do Voto-E.

(*) Carlos Pimentel Mendes é jornalista, editor do jornal eletrônico Novo Milênio.

MENDES, Carlos Pimentel. Urna eletrônica: você confia? Perspectiva, nº 134, agosto de 2004. Disponível em
http://www.novomilenio.inf.br/real/ed134z.htm .
Acesso em 20 de setembro de 2008

Nota/comentário: Notícia recente nos revela que a União (leia-se TSE) vai deixar, ou já está deixando o sistema Windows, optando (sic) pelo sistema Linux (por economia???). Mas nada mudou!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

DEMITIR NÃO É A SOLUÇÃO


Demitir não é a solução

Caros Amigos (as):
No último dia 20 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a proibição da contratação de parentes nos três níveis de poder (Executivo, Legislativo e Judiciário), prevista em resolução do Conselho Nacional de Justiça de novembro de 2005. Os ministros votaram em unanimidade, após os ministros examinarem a contratação do motorista da Prefeitura de Água Nova (RN) Francisco Souza do Nascimento, irmão do vice-prefeito Antônio Sezanildo do Nascimento.
A partir deste escândalo, ficou proibida a contratação de parentes em qualquer esfera administrativa. Para servir de exemplo à sociedade, o motorista sem peso político fora demitido. Mas e os outros parentes que ocupam secretarias e pertencem a partidos políticos? Essa é a pergunta que não quer calar?
Não há dúvidas de que o nepotismo fere a Constituição e os valores democráticos, como a moralidade e a impessoalidade na administração pública. Mas por que os ministros levaram tanto tempo para chegarem a essa conclusão e aplicar a resolução que veda essa prática mesquinha?
A impressão que se tem essa é mais uma daquelas leis feitas em época eleitoral para prejudicar determinados setores políticos em ascensão e que são fortes candidatos na briga por grandes prefeituras. Resta esperar para saber quais políticos sofrerão perdas com a nova medida. .
Por isso, demitir nem sempre é a melhor solução. Se o sujeito possui um parente que é prefeito de uma cidade e é irmão deste, ele fica desobrigado de assumir uma pasta na Prefeitura e demonstrar sua competência por ser irmão do prefeito? Ou seja, ele deve arcar com o ônus do parentesco e assinar um atestado de incompetência ao cargo?
A contratação de parentes na esfera administrativa é um vicio republicano herdado do Império, em que a transmissão de poderes era hereditária.
Então, seguindo a linha de raciocínio dos ministros do STF, D. Pedro I seria incapaz de governar um país por ser filho dos articulosos D. João VI e Carlota Joaquina. Ou então, Amaral Peixoto não poderia ter sido interventor do estado do Rio de Janeiro por ser genro do então presidente Getúlio Vargas.
Não há dúvidas de que a contratação de parentes caracteriza uma forma de influência e concentração de poder por determinado grupo político, o que levanta suspeitas sobre os critérios da contratação. Mas ainda é uma alternativa viável, visto que há uma carência cada vez maior de profissionais em algumas áreas e que há setores burocráticos onde não é necessária a especialização profissional.
Infelizmente em um país de Terceiro Mundo, como o Brasil uma indicação de parentes em uma empresa estatal pode parecer um atestado de fracasso ou um pecado grave. Nos Estados Unidos ou na Europa, o nepotismo existe abertamente em empresas públicas e privadas, pois lá existe uma valorização de clãs. Um sobrenome importante pode abrir portas no mercado de trabalho e render até visibilidade na mídia. Então, os estrangeiros desprovidos dessa ingenuidade brasileira e desse pensamento pequeno-burguês, aproveitam as chances que o parentesco proporciona e lutam para honrar o merecimento de tal prestigio.
O que é inaceitável, é claro, são aqueles funcionários-fantasma que ninguém sequer sabe o nome dentro da repartição, mas constam na folha de pagamento. Ou então, aquele sujeito que passa horas jogando cartas e lendo jornal o dia inteiro vendo literalmente o tempo passar. Esses merecem ser banidos de qualquer organização, seja pública ou privada.
Será que Francisco Souza do Nascimento, mencionado no inicio desta coluna, foi demitido por ser apenas um motorista? E se fosse secretário de Saúde? Vamos torcer para que este não seja apenas mais um caso à parte e que a lei seja realmente cumprida.
Mas antes de mais nada, precisamos rever essa postura preconceituosa em relação aos cargos comissionados e sepultar essa cultura de valorização exacerbada aos funcionários concursados. Se quisermos promover uma evolução enquanto nação, é preciso uma mudança de mentalidade e aceitar novos paradigmas que norteiam as relações políticas.

Opinião - Revista Corujinha - Ano X - setembro/2008 - n° 113 -
corujinhamarica@terra.com.br -
Por William Fernandes - williamreporter@yahoo.com.br -

Nota/Comentário:

Caro William,
Pior solução não poderia dar o STF, pois inventou graus de parentescos, uma vez que irmão, tio, por exemplo, não podem assumir tais cargos, mas... PRIMO PODE!
Mas os políticos são os algozes dos cofres públicos, por não deixarem limitar o numero de cargos comissionados em proporção ao número de cargos efetivos concursados. Exemplo: Nos Planos de Cargos e de Carreiras o número de cargos comissionados não poderá ultrapassar a metade do número de cargos efetivos existentes com relação ao ente da federação, e também em relação a cada órgão público, seja federal, estadual ou municipal.
Saudações PeDeTistas.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL


Consciência ambiental?‏
De: tribunaonline@
em nome de Walter N. Braz Jr. (w42739@)
Enviada: quarta-feira, 23 de julho de 2008 17:50:56
Responder-Para: w42739@yahoo.com.br
Para: Contra os reis e as religiões (semsenhores@); Paraíso Concreto (paraisoconcreto@); Tribuna Online (tribunaonline@)
Estava lendo as minhas cartas eletrônicas em 27 de setembro de 2007 e recebo uma apresentação do Powerpoint "ecológica". Reproduzo o texto para que você compreenda a resposta que mandei à remetente.

CARTA ESCRITA NO ANO 2070
Texto publicado na revista "Crónicas de los Tiempos", de Abril de 2002.
“Ano 2070.
Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água.
Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos.
Tudo era muito diferente
Havia muitas árvores nos parques. As casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro por aproximadamente uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.
Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras
Agora, raspamos a cabeça para mantê-la limpa sem água.
Antes, meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira.
Hoje os meninos não acreditam que utilizávamos a água dessa forma.
Recordo que havia muitos anúncios que diziam para CUIDAR DA ÁGUA, só que ninguém lhes dava atenção. Pensávamos que a água jamais poderia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A indústria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam os empregados com água potável em vez de salário.
Os assaltos por um litro de água são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética.
Antes, a quantidade de água indicada como ideal para se beber era oito copos por dia, por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo.
A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo. Tivemos que voltar a usar as fossas sépticas como no século passado porque a rede de esgoto não funciona mais por falta de água.
A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não têm a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera.
Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos gametas de muitos indivíduos
Como conseqüência, há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos: 137 m3 por dia por habitante adulto.
Quem não pode pagar é retirado das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar.
Não são de boa qualidade, mas se pode respirar.
A idade média é de 35 anos.
Em alguns países restam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército.
A água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes.
Aqui não há árvores porque quase nunca chove. E quando chega a ocorrer uma precipitação, é de chuva ácida.
As estações do ano foram severamente transformadas pelas provas atômicas e pela poluição das indústria do século XX.
Advertiam que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém fez caso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o quão bonito eram os bosques.
Falo da chuva e das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse
O quanto nós éramos saudáveis!
Ela pergunta-me:
Papai! Por que a água acabou?
Então, sinto um nó na garganta!
Não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou de destruir o meio ambiente, sem prestar atenção a tantos avisos.
Agora, nossos filhos pagam um alto preço...
Sinceramente, creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto...
...enquanto ainda era possível fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!
Autor do Slide: Ria Ellwanger riaellw@globo.com
Texto: publicado na revista "Crónicas de los Tiempos", de Abril de 2002.
Música: Chopin - Tristesse
Imagens: Getty Images
Este slide é exclusivo do site Ria Slides
FAÇA ESTA MENSAGEM CHEGAR A SEUS CONHECIDOS. POR CADA PESSOA QUE A LER
VOCÊ ESTARÁ CRIANDO UM POUCO DE CONSCIÊNCIA PARA CUIDAR À SUA VOLTA”.

A resposta:
"Advertiam que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém fez caso."
"geração que acabou de destruir o meio ambiente, sem prestar atenção a tantos avisos"
Caros amigos,
primeiro cabe saber a diferença entre consciência ecológica e manipulação ambientalóide. Quem mora em áreas rurais ou conhece alguma já viu nelas idosos com boa saúde. Quem mora em regiões movimentadas de grandes cidades já conhece o que são as poluições atmosférica, sonora e visual. Quem mora perto de algumas indústrias terá motivos para ser a favor do controle da poluição industrial. Isso já é consciência ecológica. Já no discurso ambientalóide, estivemos criando cobras ambientalmente falando antes de perceber o que estávamos fazendo.
Os Estados Unidos relutaram em assinar o Protocolo de Kyoto. Não é curioso? Os movimentos ecológicos costumam se prestar a paralisar países do Terceiro Mundo usando a bandeira do meio ambiente. Dois exemplos são a intervenção da Survival International junto ao governo argentino para a criação de uma reserva para os índios wichi em 1997, curiosamente no caminho do projeto de uma hidrovia, e a paralisação da pavimentação da BR-163 (Cuiabá - Santarém) em 2004. George W. Bush chegou a dizer que "o Protocolo de Kyoto teria destruído a nossa economia" (mmmmmmm!). Índia e China assinaram o protocolo, mas estão dispensadas da primeira fase (reduzir a emissão de gases do efeito estufa em 5,2% de 2008 a 2012). Índia, China e Estados Unidos têm juntos 2,6 bilhões de habitantes, e apenas os Estados Unidos emitem 25% do total mundial de gases do efeito estufa (CO2, o CH4 e o N2O). Irão Serra Leoa e Paraguai puxar o freio de mão de suas economias para compensar a poluição dos carros estadunidenses?
Para informação dos que não sabem, o aquecimento global não existe. Não se comenta que no Período Quente Medieval, entre os séculos IX e XII, as temperaturas no Hemisfério Norte eram de 1 a 2 graus mais quentes que as atuais, para que se tenha uma idéia. Vejam mais em "A fraude do aquecimento global" (disponível em http://www.alerta.inf.br/news/721.html).
Outra informação: Água potabilizável é um conceito econômico, não físico-químico. Certamente, uma água menos poluída será mais fácil de ser tratada. E também um tratamento para retirar metais pesados e agrotóxicos é possível, porém mais caro. Mas a fala de que a água do mundo está acabando é um boato ambientalóide-terrorista. O que não descarta que as empresas de água e esgoto façam tratamento de esgoto sanitário, por exemplo.
Mas percebam que qualquer discordante da propaganda ambientalóide é dado como um sem consciência ambiental na melhor das hipóteses e serviçal dos poluidores na pior. Pensar que estamos diante de flagelos do Apocalipse ambientais é o ecologicamente correto, embora possamos ter uma postura ambiental igual ou melhor com informação não manipulada e mentes não aterrorizadas. Mas sempre haverá quem reaja aos discordantes da propaganda ambientalóide como os cristãos diante dos hereges na Inquisição.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A SEITA DO SANTO BAITE


A Seita do Santo Baite
Prof. Pedro Antonio Dourado de Rezende
Departamento de Ciência da Computação
Universidade de Brasilia
15 de Setembro de 2003

Índice
Alerta
Fiscalização do voto
Vulnerabilidades
Abusos
Quimera
Negligência
Lógica do Risco
Manobra do Santo Byte
Afronta
Autor, Direitos autorais e histórico deste documento

Alerta
Dirijo-me aos cidadãos e cidadãs do meu país com mais um alerta, sob o peso de uma responsabilidade com que me investiu o presidente da República. A de representar nossa sociedade no órgão de Estado encarregado de normatizar sobre segurança na informatização dos seus processos, a ICP-Brasil.
Nosso futuro democrático está sob ataque. Corremos o risco de virmos a ser governados por uma dinastia, com os que estão no poder vindo a eleger, com ou sem a verdadeira maioria dos votos, os seus sucessores, no segundo caso e com a devida cautela impunemente. Estamos retrocedendo às condições que fizeram eclodir a revolução de 1930. A nação, anestesiada, parece desconhecer o perigo que está correndo. Os meios de comunicação, com honrosas exceções, omitem-se, como se o assunto não fosse merecedor de nossa preocupação, ou com o verbo indo atrás da verba.
A razão desse alerta é a encruzilhada em que se encontra o nosso processo eleitoral, baseado nas urnas eletrônicas e na informatização completa do sistema, num momento em que os poderes da República testam novos níveis de fricção. Com esta informatização, não mudam apenas a maneira de se registrar e de se contar o voto de cada eleitor. Muda também a forma de se fiscalizar eleições, cuja eficácia é a matéria prima da confiabilidade em todo o processo. O direito de qualquer parte interessada em fiscalizar uma eleição passa a requerer novas disposições, técnicas e jurídicas, já que os meios para a fiscalização se transformam ainda mais radicalmente do que os meios de registro e contagem de votos.
Quando o voto era em cédulas de papel, a fiscalização não requeria mais do que um batalhão de observadores atentos à possivel burla dos interesses que representam, durante as várias etapas do processo: preparação, sufrágio, apuração e totalização. Eficácia se traduzia em quantidade de olhos atentos, pois qualquer ato falho de fiscalização poderia comprometer uma pequena quantidade de votos válidos. E pequenas quantidades, somadas muitas vezes, poderiam compremeter o resultado da eleição.
Fiscalização do voto
Com a informatização, a fiscalização passa a requerer mecanismos de auditoria com características radicalmente distintas dos mecanismos anteriores, pois agora o que precisa ser fiscalizado são processos informáticos, dos quais a tela do computador só mostra o que o autor do software quiser. Um batalhão de observadores, atentos agora ao que se lhes faz visível nessas telas, será quase certamente inútil.
O grande desafio, para quem, sob o pressuposto da honestidade e fidelidade de princípios, se põe a planejar a informatização do processo, passa a ser o de conceber mecanismos eficazes de fiscalização que não requeiram conhecimentos técnicos em demasia, quer dos fiscais, quer dos juízes, e que não comprometam outros aspectos da confiabilidade do sistema, enquanto atenuam novos fatores de escala no perfil dos riscos, próprios da informatização mesma.
Ninguém quer menosprezar ou denegrir os benefícios desta informatização, que agiliza o registro e a contagem dos votos. Mas alguém precisa lembrar ao leitor, e ao eleitor, que esses benefícios, como quaisquer outros, têm seu preço. E o preço, neste caso, é alto, pois, com a informatização completa, a eficácia fiscalizatória do processo eleitoral torna-se o nó górdio da modernização democrática.
Mesmo que os partidos possam, por exemplo, examinar o código-fonte dos programas que constituiriam o software do sistema eleitoral, se não puderem saber, por meios próprios, se tais programas são exatamente os mesmos usados nos computadores durante a eleição, todo o esforço fiscalizatório torna-se equivalente a um mero ato lúdico, como o de mágicos e palhaços no picadeiro de um circo. Mas com uma diferença extremamente perigosa, que é a descrença, ou o desconhecimento, da natureza lúdica do ato.
Qualquer informatização traz, como contrapartida a seus benefícios, um efeito amplificador de riscos, pois qualquer pequeno ato falho na fiscalização pode agora comprometer, em larga escala, a confiablidade do sistema como um todo. Este seria o verdadeiro desafio de uma Justiça Eleitoral ocupada com a modernização dos seus processos, pressupondo que sua missão não muda pelo simples fato de assim ocupar-se.
Mas, diante desse desafio, a Justiça Eleitoral brasileira vem tomando um rumo totalmente oposto ao que dela espera um cidadão de boa fé, que acredita na preservação da natureza democrática do nosso ordenamento jurídico, ao longo da aventura modernizante da nossa sociedade. Isto porque ela vem dando sinais, cada vez mais inequívocos, de sua disposição em forçar mudanças na natureza da sua missão, à guisa de uma auto-proclamada necessidade de comandar a modernização do processo que lhe cabe regular, executar e controlar, processo que sustenta nosso regime democrático, pondo em risco, com tal guinada, a própria natureza deste regime.
Enquanto os países maduros em democracia caminham no sentido de buscarem a informatização eleitoral de forma a permitir ao eleitor verificar, por si mesmo, a correta tabulação do seu voto, o Brasil vai na contramão, com o agente responsável tentando suprimir qualquer possibilidade de conferência ou recontagem dos resultados, apelando, de formas tanto sutis quanto grotescas, para uma cega crença alheia em sua pretensa infalibilidade e isenção intestável.
Segurança computacional é assunto técnico especializado e complexo, e assusta-nos a falta de seriedade com que nossa votação eletrônica, pseudo-moderna, tem sido tratada, nos três Poderes, por desconhecedores da matéria. Ministros do TSE, autoridades em suas áreas porém leigos nas ciências afetas à computação, têm afirmado publicamente que nosso sistema é confiável, seguro, orgulho da engenharia nacional, enquanto, infelizmente, nada disso é verdade.
Dizer que a eleição de Lula é prova da segurança de nosso sistema eleitoral e da lisura dos seus resultados é sofisma. Mais do que isso, é ofensa ao bom senso de quem conhece os meandros da informática e das sombras que se projetam da natureza humana. Pode-se responder com outra pergunta: Teria ganho se não aceitasse manter o país refém da política econômica neoliberal ditada pelo cartel de agiotas globais?
Lula pode ter sido eleito, noutra hipótese, através de um sistema inauditável que lhe atribuiu quarenta e um mil votos negativos na terceira hora de apuração do primeiro turno, devido à combinação de dois fatores: votos suficientes e uma certa relação entre riscos, na qual um deles mataria a galinha de ovos de ouro de um sistema inauditável, porém crível para a maioria da sociedade, regulamentado, projetado, operado, controlado e julgado em seus resultados por um mesmo e único agente.
Vulnerabilidades
Nosso sistema é hoje internamente fraudável, e nenhuma quantidade de sofismas, falácias e ataques ao mensageiro desse alerta pode alterar tal fatalidade. Nada impede que o software do sistema possa ser furtivamente modificado para identificar ou alterar o voto de qualquer eleitor, já que a Justiça Eleitoral resiste, de maneiras cada vez menos nobres, à demanda fiscalizatória para que potenciais vítimas tenham -- e exerçam se tiverem a devida competência -- o direito de conhecer a lógica e o modus operandi desse sistema, e de, conhecendo, denunciar eventuais falhas.
Não há nada de mal que vejemos, como querem os otimistas, nosso sistema eleitoral tal qual plataforma de lançamento das modernidades democráticas, cobiçada pelo mundo afora. Mas seria imprudente ignorar, ancorando-se em arroubos de emocionalidade e tosco ufanismo, que por trás das maravilhas mostradas por holofotes e câmeras escondem-se erros, falhas, deficiências e vulnerabilidades no projeto, no controle e na fiscalização do mesmo, que podem levar nossa democracia a se desmoronar, queimando seus heróis numa grande fogueira.
Seria este alerta uma mórbida tentativa de aviltar a honrosa memória dos nossos heróis de Alcântara, para promover a cizânia? O autor não pode impedir que julgem seus motivos, mas pode oferecê-los do seu íntimo. Este alerta se deve à novidade do "registro eletrônico do voto", com o qual o TSE, e seus acólitos-legisladores, pretendem desbancar as medidas fiscalizatórias em vigor, prestes a ir às derradeiras e sorrateiras votações no Congresso Nacional.
De que se trata? Tal novidade pretende trocar o atual boletim de urna, contendo o registro eletrônico dos totais de votos sufragados por candidato na sessão eleitoral, por uma lista embaralhada de registros individuais desses votos. Só que pelo mesmo software, desconhecido das potenciais vítimas de eventuais burlas nele inseríveis, e praticáveis, quer seja sobre os totais dantes somados, quer seja sobre a lista de votos que agora se pretende embaralhar e registrar, antes que ganhem, totais ou listas embaralhadas, a luz da vista alheia, com ou sem assinatura digital.
Fiscalização de eleição informatizada é dos maiores desafios do nosso tempo. Auditoria de software não é o conhecimento de programas gravados em CD e armazenados nalgum cofre do Judiciário, como dá a entender meia página de anúncio pago pela Microsoft no maior jornal de Brasília, em dias corridos da semana passada. É o conhecimento e a validação da totalidade do software realmente envolvido, direta ou indiretamente, no registro e na contagem de votos de uma eleição verdadeira, por quem de legítimo interesse. O que aconteceria se o software que está no cofre, e o que está nos computadores da eleição, não forem idênticos, como mostrou uma perícia no processo de anulação da eleição de 2000 em Camaçari, Bahia?
Abusos
Na situação atual, nada. Nada se prova e nada ocorre, pois a Justiça Eleitoral -- que julga seus próprios atos -- os anuncia idênticos, e pronto. Na verdade algo sim, bastante sutil, ocorre. O anúncio é oferecido como se fosse o mistério da eucaristia pós-moderna. A palavra mágica é "tecnologia". Quem absorve pelos olhos, de uma tela de computador em Brasília, o código fonte que emanda de uma hóstia-CD, precisa crer que este ato transmutará o código visto em programa que estará executando nas urnas e tribunais eleitorais espalhados pelo Brasil, para nos salvar de todo o mal eleiçoeiro, e nos abençoar com uma apuração quase instantânea. Enquanto diáconos e acólitos, junto com outros políticos de fino trato em coro cantam amém. Dentre os mais fanáticos, tucanos de alta plumagem.
De que serve a esses fanáticos jurarem de pés juntos que o sistema é 100% seguro, a cada insersão de novos penduricalhos tecnológicos inauditáveis na urna, como agora querem com firmware importado para assinatura digital? Trata-se de uma medida cara que não garante lisura nenhuma a terceiros, e que, sob a perspectiva de riscos desses terceiros, apenas introduz mais um elemento obscuro, mais um canto onde "botões macetosos" podem ser acoitados, recontaminando todo o sistema com mais obscurantismo. E elevando as despesas, contrariamente à justificativa com que se pretende introduzir mais essa mágica modernosa, ao invés de diminuí-las. De que servem as juras? Simples. Servem para manter a fé dos crentes da seita do santo byte, e a incredulidade -- ou a hipocrisia -- dos demais.
Destarte, não há razão para que a urna eletrônica continue recebendo o número do título de eleitor para liberar o mecanismo de votação, se o voto deve ser secreto. Desta forma, o sistema é capaz de identificar o meu, o seu, o nosso voto, para aqueles que manipulam suas entranhas, o corpo espiritual da santa urna. O voto secreto no Brasil, hoje, é mera ficção: nós o teremos na medida em que os controladores do sistema o permitirem, na intimidade e no mistério da sua discrição.
Os que decidem que o sistema deve ser assim são pessoas que não entendem de segurança computacional. São pessoas que poderiam, no mínimo, afirmar, a partir do bom senso que os levam a conhecer a natureza humana e a informática, esta nos limites da sua competência até aqui demonstados, que o sistema, assim, é seguro contra fraudes externas apenas, e apenas para quem detém o seu controle (se houver fraude bem feita, interna ou externa, estará no arbítrio de quem controla o sistema desvelá-la: se mal feita, terá sido acidente). Em outras palavras, o sistema é seguro, sim, mas apenas para aqueles que assim afirmam, qualquer que seja o seu verdadeiro propósito. Eles não mentem, desde que continuem omitindo o complemento verbal das suas juras de segurança.
Para o eleitor interessado na lisura do pleito o sistema é, claramente, 100% inseguro, pois os programas do sistema podem ser ligeiramente alterados para "eleger" desde vereadores até o próprio presidente, com tais desvios podendo ser introduzidos por uma única pessoa, com acesso e conhecimento privilegiados e no devido momento, independente do espetáculo místico-midiático onde algum software é mostrado aos partidos sessenta dias antes da eleição, em meio a holofotes e câmeras de TV, à guisa de se "permitir a auditoria".
Iniciativas visando tornar arriscado o acesso furtivo que introduz burlas no software, para quem o acesso capaz de modificar software se justifica, ao contrário de iniciativas visando tornar obscuro os acessos justificados, para quem se prejudicaria com burlas no software, é o que falta para se ter um mínimo de "segurança do eleitor". O TSE jamais aceitou convites para debater tecnica e publicamente a segurança do sistema, pois sabe das suas inseguranças internas. Nenhum estudo isento e independente sobre sua alegada confiabilidade, sem subjetivismos, foi feito até hoje.
O próprio estudo de um grupo da Unicamp -- pago pelo TSE --, parcial e pleno de ressalvas, recomendou vários procedimentos como condição para se estabelecer níveis recomendados de segurança para o processo, omitidos na propaganda sobre as maravilhas da urna, e agora defenestrados pelo projeto do senador Azeredo, caracterizando verdadeiro engodo a sua invocação em juras de segurança. Se o sistema algum dia cair sob o controle de pessoas desonestas, estas poderão eleger quem desejarem, e políticos interessados saberão onde e como sua eleição poderia ser garantida.
Doutra feita, confiar apenas nas pesquisas eleitorais é perigoso, pois sabemos que pesquisas podem, também, ser manipuladas. Os registros dos métodos de pesquisa no TSE, por exemplo, revelam que estas são "auto-ponderadas". Auto-absolvição? Além disso, se as diferenças entre candidatos for mesmo pequena, as pesquisas nada representam para efeito de validação de resultados. Confiar nas pesquisas como única salvaguarda, como pregou o diácono FHC ao declarar que "a mídia é quem fiscaliza as eleições", incitando a Justiça à desobediência ao artigo 66 da lei 9604/97 (então em vigor), apenas eleva o custo, e com ele as barreiras de entrada ao negócio, do ilícito através de possíveis e eventuais burlas no software eleitoral. E finalmente, se o risco de exposição de eventuais burlas for pequeno, este fato atrairá a cobiça de ambições fundas e escrúpulos rasos ao controle do sistema.

A SEITA DO SANTO BAITE


Quimera
Não existe sistema informatizado imune a fraudes. A proteção possível será através da combinação equilibrada de salvaguardas técnicas, transparência e auditabilidade onde necessárias, contemplando suficientes direitos àqueles que possam ser prejudicados pelas possibilidades de burlas invisíveis, constituindo-se esses na sua cidadania. No caso em tela, os direitos dos candidatos e do eleitor. Mas esses direitos estão sendo pisoteados a achincalhados por quem, na posição de administrador dos mesmos, se faz de desentendido das tais possibilidades, enquanto posa de vestal.
São os mesmos que, no poder, não reconhecem, ou desdenham, as forças sociais que fizeram eclodir a revolução francesa, a revolução de 1930, e o movimento global contra a erosão do Direito provocada pelo fundamentalismo de mercado, dogma que prega o predomínio global do poder do capital como bem supremo. Este poder tem por missão, impessoal e instintiva, a destruição do conceito de bem público, e como bem público se pode classificar os direitos de cidadania. O fundamentalismo de mercado tenta transmutar os direitos de cidadania, nascidos da revolução francesa, em mecanismos legais de premiação, direta ou indireta, da avareza humana.
"Nenhum sistema é mais fiscalizado do que o nosso sistema eleitoral informatizado", proclamou, antes da eleição de 2002, como "prova" da total segurança e lisura do dito, uma autoridade eleitoral, das que reagem agressivamente a qualquer crítica ou à mera insinuação de inconsistência, como se fossem heresias. Pode ser que sim. Mas é verdade mais certa, e esta bem mais significativa, que nenhum sistema é mais mal fiscalizado, apesar do que diga a seita do santo byte.
Até aqui, a fiscalização desse sistema vem se constituindo em mero espetáculo lúdico, ou um ritual místico sem nenhuma eficácia ancorável na ciência da computação. Por mais pomposo que seja o espetáculo, ou por mais credulidade que inspire o rito, é, de qualquer forma, absolutamente incompatível com os valores em jogo, mesmo numa sociedade que mede seus valores pelo próprio espetáculo ou pelo vigor dos seus mitos. O episódio da sessão paralela de cinema, promovido por um privilegiado fiscal de partido em 9 de agosto, co-extensivo e concomitante ao ato final da "cerimônia de auditoria" do sistema, dois meses antes do primeiro turno de 2002, bem o ilustra. E as ilustrações não para por aí.
Segundo a diretoria técnica da empresa vencedora da correspondente licitação, o TSE teria especificado, para a eleição de 2002, para uma experiência voluntária "de teste" com a medida fiscalizatória do voto impresso, que as impressoras fossem fornecidas com um selo de lacre sobre a greta por onde os votos seriam ejetados. E que o TSE teria se esquecido de avisar aos técnicos que iriam lacrar o saco de coleta de votos à impressora montada na urna, na encenação da "experiência", para que antes retirassem o selo de lacre da greta. Esqueceu-se. Resultado, conforme relatório que o TSE elaborou e enviou ao congresso, por iniciativa própria, sobre a tal experiência voluntária: "Alta porcentagem de falhas", sem maiores explicações.
Negligência
O TSE licitou mais de 70 mil dessas impressoras, montou cerca de 50 mil delas em urnas eletrônicas, e distribuiu vinte e poucas mil nas sessões eleitorais escolhidas para a experiência. Essas sessões também tiveram, em sua maioria e em média, cadastros de eleitores inchados. Coincidência. O TSE também programou essas urnas para requererem um clique a mais no botão "Confirma", ou esperar três minutos antes de liberar o voto para o próximo eleitor. Mas esqueceu-se de avisar, através de sua milionária campanha educativa, aos eleitores "premiados" com o direito de ver seu voto insculpido em meio indelével, da necessidade desse segundo clique. Esqueceu-se. Resultado, no tal relatório: "Longas filas e eleitores confusos", sem maiores explicações.
E finalmente, o tal relatório declara: a experiência mostrou que tal medida "nada acrescenta à segurança do sistema". Resta perceber que acrescentaria se pudesse ser usada. Por exemplo, na útima eleição do DF, totalmente "premiada" com a tal experiência, vencida por pequena margem e contestada no seu resultado eletrônico. Mas quem teve dúvidas sobre o resultado, contestou e solicitou a recontagem dos votos impressos junto ao tribunal regional, teve seu pedido negado por unanimidade "para não atingir a credibilidade das eleições". Afinal, era apenas um teste!
Até falsos boatos teriam sido injetados, em círculos políticos não premiados, dando conta de que tal medida fiscalizatória é perigosa pois o eleitor poderia, com ela, vender seu voto. Como seria isso possível, se ninguém pode ver votos alheios impressos, mesmo contestando no tribunal o resultado da eleição? Vade retro!
Tampouco é verdade o que noticiou o telejornal da Record de 13/09, de que a impressão voto terá que ocorrer em todas as urnas, já na eleição de 2004, se a lei eleitoral em vigor não for revogada. Durante sua aprovação em 2001, o TSE fez lobby para incluir na lei dispositivo que lhe faculta escolher o ritmo em que tal medida viria a ser inplementada. O TSE, querendo, poderá, sem ferir a lei atualmente em vigor e com o mesmo orçamento da eleição de 2002, fazer a impressão dos votos nas mesmas sessões eleitorais "premiadas" naquela ocasião. Mas o TSE quer algo mais.
Quer, agora, justificando-se com este relatório, defenestrar as medidas fiscalizatórias estabelecidas autonomamente e a duras penas pela legislatura anterior, que, assustada com as repercussões do escândalo no painel do senado, enfrentou e venceu o mesmo lobby. Venceu mas não levou. E o eleitor, em vez de cobrar seus direitos, até agora vem dando a impressão de preferir aceitar passivamente, junto com a grande mídia, o papel de tolo nesse jogo infeliz, organizado por quem se propõe a "testar voluntariamente" medidas fiscalizatórias dos seus próprios atos, realizado através de uma triste e vergonhosa execração pública, como se democracia fosse sinônimo de conveniência.
Seria fruto de uma paranóia conspiracionista este alerta? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas se o for, será nisso mais honrado e saudável do que a vassalagem crédula ou interesseira, e do que a ingenuidade medrosa ou hipócrita. Pelo menos para a dignidade e, quiçá, para o futuro daqueles conceitos pelos quais ainda se luta. Conquistados com muito sangue por nossos antepassados, em carnificinas que precederam o período das luzes, das quais nasceram, como dignos gêmeos, a Cidadania e o Estado Democrático de Direito, e cujos ecos reverberaram na nossa revolução de 1930.
Lógica do risco
Todo jurista, juiz, advogado ou policial investigador sabe que a possibilidade de ocorrência de fraude é inversamente proporcional ao risco de punição do infrator, da severidade e da extensão desta punição. Enquanto, em sistemas informatizados, o bloqueio à efetiva auditabilidade externa equivale à garantia da impunidade para quem o controla. Sendo a parte sobre a qual o cientista da computação tem vantagem de aprendizado em relação aos operadores do Direito, tal equivalência se faz motivo deste alerta.
Equivalência que pode ser resumida na constatação de que sistemas informatizados sensíveis se tornam propensos à fraude, por parte daqueles que o controlam, na medida direta das dificuldades para sua auditoria externa e das vantagens que tais ilícitos oferecem. Desnecessário dizer mais sobre ambos, no caso. O que pretendem, então, aqueles que fingem em público desconhecer essa lei social do mundo hodierno, investidos que foram de amplos poderes para proteger a sociedade contra, dentre outros, os seus efeitos?
Este alerta não é uma acusação, por parte de um irresponsável que não tem provas, da ocorrência de fraudes eleitorais. É uma acusação, por parte de quem representa a sociedade civil no órgão de Estado que regula a segurança na informatização dos seus processos, do cerceamento do direito de se obter tais provas, caso fraudes eleitorais ocorram. Mais precisamente, caso as mais fáceis formas de fraude ocorram. As provas deste cerceamento estão em projetos de leis, em processos e atas do Judiciário e do Legilativo, em resumo compiladas e referidas em dezenas de artigos espalhados por vários portais na internet, inclusive no site do autor. Examina-as, entende-as e valida-as quem quiser.
A Justiça Eleitoral quer vestir a si mesma com um véu de imaculada, sacrossanta e infalível confiabilidade, através da anulação do direito das partes interessadas fiscalizarem o processo eleitoral, à guisa da sua auto-proclamada necessidade de informatizar o processo com "contenção de gastos" e "mais modernidade". Quer anular esses direitos, depois de boicotá-los, promovendo, através de um estranho lobby conduzido pessoalmente por seus mais altas autoridades, a substituição do artigo 66 da lei eleitoral em vigor (lei 9.504/97) e da medida fiscalizatória do voto impresso, por mais um jogo de espelhinhos e protinholas digitais furtivas.
Mais um balangandã de penduricalhos teconológicos inauditáveis dentro da urna, acoplado a uma linguagem capciosa dentro da lei, transformando o sistema eleitoral brasileiro em exemplo lapidar do tipo de caixa-preta contra o qual nos alerta o presidente da República. Para se ter idéia, o tal projeto foi originalmente encaminado pelo senador Azeredo com dispositivo que ditava, aos operadores do Direito, ser a assinatura digital inauditável no registro eletrônico de votos "para impedir o questionamento do período de votação".
Doutra feita, não entendemos como juristas e legisladores que se fazem ilustres, aparentando acreditarem no que falam, ilocucionam vacuidades com tamanha convicção, em áreas que não dominam, áreas alheias ao seu campo de atuação, desdenhando o cerceamento aqui denunciado. Ou, pior, quando, pelo perfil profissional, deveriam dominar. Não entendemos como a grande mídia valoriza tais ilocuções, como se a segurança computacional de sistemas informáticos públicos fosse assunto de fé religiosa, ou de foro ínitmo sobre gosto individual ou ética atribuída a palpites do que seja modernidade.
Em particular, às ilocuções de quem propôs a extinção da medida de auditoria via voto impresso, através do referido e famigerado projeto de lei, aprovado no Senado sem que os senadores ouvissem ninguém a respeito de fora do TSE, e depois enviado à Câmara, que tampouco se dispõe a ouvir quem quer que seja fora do TSE. Os fanáticos do santo byte acusam seus críticos de "lobbistas", e seus argumentos de "politizados", para descartá-los.
Descartada, doutra feita, a possibilidade de má fé, essas ilustres e poderosos senhores demonstram, ultimamente em debate nas respectivas comissões de Constituição e Justiça, completa ignorância do assunto, aliada a um acerbo conforto com a mesma, real ou fingida, argumentando sem entender daquilo que se propõe e se discute, valendo-se de argumentos que, repetidos de terceiros e fora de contexto, constituem falácias a se propagar em professões de cega fé que seriam cômicas, se não fossem trágicas. Trágicas porque não se pode distinguir a ingênua fé no santo byte, da preformance cênica interesseira misturada à sua romaria.
Por que agem assim a maioria dos nossos legisladores? Por que se esforçam tanto em nos convencer que a mera mudança do registro do voto de papel para bytes transforma aqueles que projetam, operam e controlam o sistema em seres angelicais? Estariam tendo visões alucinatórias, depois de alguma beberagem pelos ouvidos?
Manobra do Santo Byte
No dia 17 de Setembro a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados acordou da cantilena dos fanáticos. Deliberou e votou por enviar requerimento à mesa da casa, solicitando que lhe seja permitido dar parecer sobre o referido projeto, antes de sua submissão ao plenário.
Elementos do mais alto escalão do Poder Judiciário vêm pressionando deputados e senadores para que aceitem, sem questionar, disparetes do jaez contido no projeto encaminhado por Azeredo, através de lobby cerrado, tons de desafio implícito, barganhas obscuras e insubstanciadas, imiscuindo-se na autonomia do Poder Legislativo, a pretexto de protegerem o sistema eleitoral contra "hackers", "despesas excessivas" e "velharias". A maioria dos pressionados diz amém, sagrando-se diáconos desta estranha seita do santo byte.
Por que o TSE não presta contas das despesas com a execução, "ofercida" através de seu sistema, de eleições na Argentina e na República Dominicana, antes de execrar, por seus "altos custos", as medidas fiscalizatórias conquistadas a duras penas pela legislatura anterior? Quem paga por tal generosidade, enquanto aqui se engalfinham muitos de seus atores, empenhados em contribuir para estrangular, até à medula, o erário na manutenção dos seus privilégios por tempo indefinido?
Por que altos magistrados pressionam o Poder Legislativo para que não seja promovida nenhuma audiência pública sobre tal projeto obscurantista, nem mesmo para que especialistas em segurança computacional sejam ouvidos, enquanto outros supremos magistrados acusam o presidente da República de imiscuir-se na autonomia do Poder Judiciário, com seu alerta sobre caixa-preta?
Dois pesos e duas medidas se reserva, assim, o Poder cujo símbolo seria o da escala única para administração da Justiça, expresso na figura duma balança auscultada por mão guiada por olhos vendados, até em estátua frente ao STF. Ao cobrir-se com véu de suposta imaculada e sacrossanta retidão, a Justiça Eleitoral se faz cega, e também surda, não mais à influência de interesses alheios sobre aquilo que lhe cabe judicar, mas ao nexo causal que guardam entre si a possiblidade de fraude e o risco de punição para o fraudador.
Nexo que, no mundo capitalista, tem força de lei equivalente à da gravidade no mundo material, razão do alerta presidencial: fraudes ocorrem em proporção direta não só à facilidade da sua execução e ao valor que representam para o fraudador, mas também à dificuldade de se produzir provas da sua autoria. É como se marchassem esses ilustres senhores, lépidos e faceiros, ouvidos bem tapados rumo a um abismo, julgando-se assaz espertos por entenderem as "regras do jogo". Poder usa quem tem.
Ao promoverem intenso lobby a favor de legislação obscurantista, que destrói o direito de potenciais vítimas produzirem provas de eventuais ocorrências de fraude nas formas mais facilmente perpetráveis através do sistema eleitoral em uso, alguns supremos magistrados não só afrontam a autonomia do Poder Legislativo, mas o fazem com superlativo agravante: o desrespeito à memória cívica de recentes e vergonhosos episódios, como o do painel do senado e o da inexplicada votação negativa de Lula no primeiro turno. Ao mesmo tempo em que desafiam o presidente da República em sua orientação, como líder supremo da nação, para que se dê cabo de injustificadas opacidades no Poder Judiciário.
O escândalo do painel do senado trouxe à tona, justamente, um mecanismo de fraude para quem controla o sistema poder fraudar sem ser incomodado. O "botão macetoso" teria sido encomendado, segundo a empresa fornecedora do sistema, pelo próprio senado, como parte nova (e oculta) do processo, para que funcionários da casa pudessem votar em deliberações senatoriais, em nome de senadores ausentes. Note-se que, para o público, dizia-se desse sistema haver sido projetado para impedir a ação de senadores "pianistas", que vez por outra votavam, sorrateiros mas sob o risco de flagrante por câmeras atentas, em nome de colegas ausentes.
Afronta
Quem, na sociedade, estava atento, aprendeu do episódio uma boa lição da era digital. Uma lição sobre o papel da eficácia fiscalizatória como nó górdio daquilo em que nela se trasforma a cidadania. A expectativa de certos senadores, de que o sistema do painel de votação de sua casa nunca viesse a ser externamente auditado, desfez-se com a cizânia provocada por uma escalada na luta interna entre dois caciques, expondo com isso, à sociedade, a dimensão dos riscos a que nos expomos ao aceitarmos sistemas informatizados inauditáveis, como intermediários no controle do nosso destino coletivo.
Ao fazerem lobby sobre o Legislativo para que nosso sistema eleitoral se transforme de vez, de fato e de direito, em modelar caixa-preta, autoridades do Poder Judiciário afrontam sobejamente não apenas a autoridade máxima da República, desafiando sua orientação de líder supremo da nação, para que nossa sociedade evite os perigos desta perniciosa forma de obscurantismo pós-moderno. Insultam também a inteligência do cidadão comum, apostando na sua incapacidade de aprender lições de cidadania que a História ministra.
Como as lições do painel do senado, da votação negativa atribuída por essa mesma caixa-preta ao candidato Lula no primeiro turno em 2002, dos vergonhosos espetáculos da execração pública de uma medida fiscalizatória antes mesmo que vigisse, encenado pelo próprio fiscalizado, e da capacidade articuladora dos seus membros em defesa de particulares e mesquinhos interesses entrelaçados ao poder que representam, exibida durante a negociação da reforma da Previdência.
Afrontam os aprendizes da História na expectativa de que suas vozes sejam caladas, muitas vezes rotulando-as de retrógradas, paranóicas e conspiracionistas. Na esperança de que a sociedade brasileira venha a aceitar passivamente a silhueta que pretendem desenhar sobre a instituição que representam, cobrindo-a com precário véu de imaculada e sacrossanta retitude, precário pois seu significado está sendo tecido com o fio de uma indisfarçável inflação de autoridade.
Mas nem todo cidadão está disposto a confundir esta silhueta com o papel desenhado para o Poder Judiciário enquanto Janus, judicador e custodiante do processo eleitoral, em nossa Carta Magna. Nem todo cidadão está disposto a se calar diante desses abusos. O parlamentar que mereceu o nosso voto, merece também saber da nossa opinião e perplexidade a respeito. Os que se curvarem, entrarão para a História por uma outra porta, como entraram por distintas portas os que se enfrentaram na revolução de 1930. Quanto mais se muda, mais igual tudo fica. O discurso da modernidade é disfarce: o que eram livros de votação antes de 30, são hoje softwares. O futuro nos espera.


Autor
Pedro Antônio Dourado de Rezende, matemático, professor de Ciência da Computação na Universidade de Brasília, Coordenador do Programa de Extensão em Criptografia e Segurança Computacional da UnB, representande da sociedade civil no Comitê Gestor da Infra-estrutura de Chaves Públicas brasileira. (www.cic.unb.br/docentes/pedro/sd.htm)

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Histórico deste Documento
v.4 -15/09/03 - (primeira v. publicada) Consultor Jurídico, http://conjur.uol.com.br/textos/21595
v.5 - 16/09/03 - Novo título: A Seita do Santo Byte
v.6 - 19/09/03 - Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara vota requerimento para examinar projeto.
v.7 - 22/08/05 - Índice, subtítulos e ilustração acrescentados